Paralisia cerebral pode ser evitada, dizem médicos

A paralisia cerebral é resultado da lesão em uma ou mais partes do cérebro, o que pode ocorrer ao longo da gravidez, durante o parto ou após o nascimento. Segundo os médicos, ela é irreversível, mas há, sim, como preveni-la. Para divulgar as formas de lidar com essa e outras deficiências, instituiu-se o Dia Mundial do Deficiente Físico, celebrado no dia 11. No caso da paralisia cerebral - cuja causa principal é a asfixia do bebê durante o parto - a presença de um pediatra no momento do nascimento pode evitar o pior. Mas a criança ainda corre riscos de sofrer uma lesão cerebral no pós-parto - por queda ou afogamento, por exemplo. Nesta fase, a atenção dos pais é a melhor prevenção. Apesar de não ter a inteligência alterada, o portador de paralisia cerebral fica com a capacidade motora reduzida, de acordo com o grau da lesão, que pode ser causada por diversos fatores. ?Uma infecção durante a gestação ou o descolamento da placenta podem causar a má formação do cérebro do bebê e ele poderá ter paralisia cerebral. Já as crianças que nascem prematuras têm 50% mais chances de ter paralisia por causa de hemorragia ou falta de ar?, explica a fisiatra da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) Alice C. Rosa Ramos. Durante o parto, o bebê pode se enrolar no cordão umbilical ou ficar em uma posição errada para nascer e, assim, perder oxigênio, mesmo se o exame pré-natal não indicar qualquer anormalidade. Se isso acontecer, a paralisia cerebral poderá ser uma seqüela. ?Até 30% das mortes neonatais são por falta de oxigênio no cérebro. Daí a importância do pediatra bem habilitado na hora do parto?, alerta o presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Paulo Neder. Você não leu errado: é pediatra mesmo, para ficar atento ao bebê, já que a mãe estará assistida pelo obstetra. A AACD é uma entidade que oferece, entre outros serviços, tratamento gratuito aos paralíticos cerebrais. Ali, são atendidas diariamente cinco mil pessoas, das quais três mil são crianças portadoras de paralisia cerebral. Segundo a instituição, cerca de duas mil delas não estariam lá se houvesse um pediatra com a mãe na hora do parto. ?Uma portaria do Ministério da Saúde determina que toda mulher que usa o Sistema Único de Saúde (SUS) tem direito a um pediatra durante o parto?, orienta o presidente da AACD, Eduardo de Almeida Carneiro. Na associação, as crianças vencem as dificuldades motoras no Centro de Reabilitação explorando os membros do corpo que não foram afetados. ?Se ela mexe a perna esquerda, por exemplo, ela poderá escrever com o pé e transmitir a sua inteligência?, conta Carneiro. Além disso, a entidade oferece sessões de fonoaudiologia que a ajudam a respirar e a engolir. A educação também está incluída na rotina dos pacientes. Uma escola primária na entidade alfabetiza 300 crianças por ano. Em seguida, elas podem freqüentar escolas normalmente, desde que não abandonem o tratamento. Quando a pessoa cresce, ela também não está livre do risco de ter paralisia cerebral. ?No adulto, a paralisia recebe o nome de lesão encefálica. Ela é adquirida por traumatismo craniano, tumor e até mesmo da falta de oxigênio no cérebro durante a cirurgia?, revela a fisiatra Alice.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2006 | 12h20

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.