CDC/Divulgação
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Parasita da malária aumenta resistência ao antídoto mais comum

Estudo revela que o parasita plasmodium, transmitido por mosquitos, aumentou sua resistência ao tratamento com artemisina na fronteira entre a Tailândia e a Birmânia

Efe,

06 de abril de 2012 | 17h02

 O parasita causador da malária está aumentando progressivamente a resistência ao medicamento mais comum usado no mundo todo para combater seus efeitos, baseado na planta chinesa Artemísia annua, revela um artigo publicado no periódico "The Lancet".

O estudo demonstra que o parasita plasmodium, transmitido por mosquitos, aumentou sua resistência ao tratamento com artemisina na fronteira entre a Tailândia e a Birmânia.

Essa zona está a mais de 800 quilômetros de outra, no Camboja, onde também foi detectada a queda na efetividade do remédio, o que indicaria que as cepas resistentes estão se espalhando.

Os pesquisadores do Shoklo Malária Research Unit, na Tailândia, avaliaram o tempo que os remédios com artemisina demoram em eliminar os parasitas do fluxo sanguíneo de 3.000 doentes daquela região.

Em um período de nove anos, de 2001 a 2010, constataram que os remédios são cada vez menos eficazes, e que o número de pacientes que demonstra sinais de resistência aumentou em cerca de 20%.

Os especialistas alertam que se a resistência se espalhar pelo sudeste asiático e migrar para a África subsaariana, onde está a maioria dos casos da doença, a situação será grave, já que as possibilidades de curar a malária ficariam reduzidas e a doença poderá proliferar.

O professor Standwell Nkhoma, do Texas Biomedical Research Institute, que também fez parte do estudo, declarou que se perdermos a artemisina, o tratamento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), "não há outros remédios para substituí-la".

"Poderíamos retroceder 15 anos, quando os casos de malária eram muito difíceis de serem tratados pela falta de remédios eficazes", afirmou.

Segundo o último relatório mundial sobre a malária, cerca de 65 mil pessoas morreram em 2010 da doença - mais do que uma por minuto -, a maioria crianças e mulheres grávidas.

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