Parasita pode ficar mais forte com mudanças do clima, diz estudo

Os parasitas podem se tornar mais virulentos com a mudança climática, segundo um estudo mostrando que rãs sofrem mais infecções de um fungo quando expostas a oscilações inesperadas de temperatura.

ALISTER DOYLE, Reuters

12 Agosto 2012 | 17h35

Parasitas, que incluem os platelmintos, organismos minúsculos agentes da malária e de fungos, podem se adaptar de forma mais ágil a mudanças climáticas do que os animais que os hospedam, já que são menores e crescem mais rapidamente, disseram cientistas.

"O aumento na variabilidade climática deve tornar mais fácil para os parasitas infectarem seus hospedeiros", disse à Reuters Thomas Raffel, da Universidade Oakland, nos Estados Unidos, baseando-se nas descobertas sobre rãs e um fungo de pele que às vezes pode ser mortal.

"Achamos que isso pode exacerbar os efeitos de alguma doença", ele disse sobre o relatório que liderou com colegas na Universidade de South Florida. O relatório será publicado na edição de segunda-feira da revista Nature Climate Change.

Um painel de especialistas da ONU diz que o aquecimento global deve aumentar o sofrimento humano com mais ondas de calor, enchentes, tempestades, incêndios e secas, e ter efeitos como a disseminação do alcance de certas doenças.

E a mudança climática, atribuída a gases que provocam o efeito estufa liberados por combustíveis fósseis, também deve significar mais oscilações nas temperaturas.

"Poucos... estudos consideraram os efeitos da variabilidade ou previsibilidade climática sobre a doença, apesar de ser provável que hospedeiros e parasitas terão respostas diferentes às mudanças climáticas", escreveram.

Os cientistas expuseram rãs cubanas em 80 incubadoras de laboratório a temperaturas variadas e a infecções de um fungo, o Batrachochytrium dendrobatidis, que costuma ser mortal para os anfíbios.

Em um experimento, as rãs mantidas em uma temperatura de 25 graus Celsius por quatro semanas sofreram mais infecções quando foram transferidas para incubadoras a 15 graus e expostas ao fungo do que as que estavam acostumadas a viver a 15 graus.

"Se você muda a temperatura, a rã está mais suscetível à infecção do que uma que já estava adaptada àquela temperatura", disse Raffel.

Em outro teste, as rãs que foram expostas a variações previsíveis da temperatura diária, entre 15 graus e 25 graus, típicas das mudanças da noite para o dia, saíram-se bem melhor em resistir ao fungo.

Baseando-se em fatores como tamanho, expectativa de vida e fatores como seus metabolismos, os cientistas disseram que as rãs provavelmente levaram 10 vezes mais tempo do que o fungo para se acostumar a mudanças inesperadas de temperaturas, um processo conhecido como aclimatação.

Raffel disse que mais testes eram necessários de outros parasitas e hospedeiros para confirmar as descobertas. "Esse estudo só foi feito em uma única espécie de rã tropical", ele disse.

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