Parceria tenta atrair pacientes estrangeiros ao Brasil

Cinco grandes hospitais brasileiros privados e duas entidades médicas acabam de fechar acordo para atrair pacientes estrangeiros. O consórcio foi firmado ontem de manhã, em São Paulo, com a assinatura de todos os envolvidos - os centros médicos e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A idéia, inédita no País, começou lá atrás, em 2001, com o atentado terrorista de 11 de setembro, nos Estados Unidos. "Os árabes, que sempre procuraram os serviços médicos americanos, passaram aos poucos a migrar para a Europa, onde os valores hospitalares são, em média, 30% maiores", explica Juan Quirós, presidente da Apex, órgão do governo responsável pela promoção da imagem e das vendas de produtos brasileiros no exterior. "Percebemos que ali havia um mercado excelente para o Brasil. Convocamos grandes hospitais e levamos a idéia a esses estrangeiros." Na prática, significa que, desde ontem, Fundação Zerbini, Hospital do Coração (HCor), Sírio Libanês, Samaritano (os quatro em São Paulo), Moinhos de Vento, no Rio Grande do Sul, Hospital Brasília, Associação de Medicina Intensiva Brasileira e mais duas empresas de arquitetura e tecnologia hospitalar - Gestão e Tecnologia em Saúde e MHA Engenharia, vão usar a verba anual de R$ 1,3 milhão para divulgar seus serviços de saúde em outros países, participando de feiras internacionais para trazer pacientes e investindo pesado em campanhas publicitárias. A Apex entra com metade do dinheiro, as entidades com a outra parte. "Vamos triplicar o número de estrangeiros a partir de agora", diz Antônio Carlos Kfouri, superintendente do HCor, que hoje recebe cerca de dez pacientes de fora por mês. Já os cirurgiões plásticos andam preocupados com o turismo em saúde. "Na nossa área, algumas agências de saúde começam a oferecer serviços médicos no mesmo pacote de passeios. Está errado. O paciente deve entrar em contato direto com o hospital ou o com médico. Não com agências de turismo", diz João Carlos Sampaio Góes, presidente da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica. No início do mês, a entidade criou diretrizes internacionais para orientar o turista, como a lista de 1,5 mil cirurgiões credenciados e o tempo de recuperação necessário para cada tipo de operação. O site www.isaps.org traz detalhes, em inglês.

Agencia Estado,

23 de junho de 2006 | 10h00

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