Parte do lixo hospitalar apreendido em PE será incinerado

Cerca de 50 toneladas de tecidos hospitalares vindos dos EUA serão destruídas

Monica Bernardes,

29 de dezembro de 2011 | 16h53

 Dois meses após a descoberta de que lixo hospitalar norte-americano estava sendo importado e revendido por empresas que atuavam no interior de Pernambuco, a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) determinou, na última quarta-feira, 28, a incineração de 50 toneladas de tecidos hospitalares que foram apreendidas nos municípios de Toritama, Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe, em galpões pertencentes à Indústria de tecidos N.A Intimidade.

A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado. Outras 46 toneladas de peças (lençóis, batas, fronhas), que foram apreendidas pouco após serem desembarcadas no Porto de Suape, no litoral Sul de Pernambuco, serão reembarcadas, com destino aos Estados Unidos, no próximo dia 7 de janeiro.

De acordo com o gerente da Apevisa, Jaime Brito, a decisão de dar destinos diferentes ao material apreendido foi baseada em critérios técnicos. "O material que estava nos galpões estava muito misturado e ao longo das investigações percebeu-se que se tratava de fruto de importações feitas diferentes momentos.

Além disso, estava misturado a tecidos produzidos no Brasil. Por isso a melhor saída será a destruição. Já o conjunto de peças apreendidas nos contêineres está bem definido. Sabemos quando chegou e não houve mistura com produtos nacionais. Assim, nada mais correto que o país que exportou assuma a responsabilidade de dar a destinação correta", explicou.

No último mês de novembro, o laudo técnico do Instituto de Criminalística de Pernambuco constatou a presença de sangue nas amostras recolhidas. "O laudo pericial que foi pedido pela Polícia Federal detectou que os tecidos que estavam nos três depósitos vieram de materiais procedentes de hospitais e foram taxados como resíduos de serviços de saúde".

A empresa N.A. Intimidades têm 15 dias para recorrer da decisão. Os depósitos estão interditados desde outubro. A empresa já haviam sido notificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e multada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Apesar de não divulgar o custo do processo de incineração, Jaime Brito reconhece que é "alto". Fontes ligadas a Apevisa e a Polícia Federal estimam que a operação possa chegar a R$ 300 mil. Ainda não há definição oficial sobre quem pagará pela incineração.

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