Parteiras buscam parceria com profissionais de saúde e apoio do SUS

Hoje, cerca de 30% dos partos no País são domiciliares, segundo subsecretária de Direitos Humanos

Agência Brasil

09 de agosto de 2010 | 18h32

BRASÍLIA - A inclusão do parto domiciliar assistido por parteiras no Sistema Único de Saúde (SUS) será discutida até esta sexta-feira, 13, em Brasília, por profissionais de saúde, parteiras, gestores, representantes de organizações não governamentais e pesquisadores de 15 Estados brasileiros.

Eles participam do Encontro Nacional de Parteiras Tradicionais: Inclusão e Melhoria da Qualidade da Assistência ao Parto Domiciliar no Sistema Único de Saúde.

Ainda hoje, cerca de 30% dos partos feitos no País são domiciliares, informa a subsecretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Lena Peres. Segundo ela, a alta porcentagem se deve ao fato de que as parteiras vêm se modernizando, com o incentivo aos exames pré-natal - que garantem um parto mais seguro - e atuando também nas casas de parto de centros urbanos.

De acordo com Lena, a partir do reconhecimento do SUS as parteiras poderão ser cadastradas, receber qualificação para orientar as mães sobre os cuidados com os bebê e ter acesso a materiais (como luvas e álcool) e transporte no caso de complicações no parto, além de fichas de identificação para facilitar o registro civil. Elas também buscam o direito a remuneração e aposentadoria.

É comum encontrar parteiras no interior do Norte e do Nordeste, em geral em regiões pouco urbanizadas. Elas costumam passar vários dias na casa da parturiente até que a mulher se recupere depois do nascimento do filho. É a parteira que cuida da mãe, do bebê e dos afazeres domésticos. A maioria não cobra pelo serviço, mas a família dá uma contribuição, que costuma ser pequena por se tratar de regiões pobres.

Segundo a consultora de temas ligados à saúde da mulher, Nubia Melo, o nascimento domiciliar assistido por parteira já é responsabilidade do SUS, mas os acordos assinados nesse sentido têm pouco efeito prático. “Nos locais onde elas atuam, a realidade é de abandono, exclusão e atuação isolada. Obviamente esse isolamento aumenta o risco, pois a mulher que ela assiste é a que tem menos acesso ao pré-natal”, disse.

Além do isolamento, muitas sofrem com o preconceito de profissionais de saúde, como relata Edite Maria da Silva, moradora de Palmares (PE) e parteira há 44 anos. “Cada vez somos mais desprezadas por médicos e chefes de saúde, que dizem para a mulher não fazer parto tradicional porque a criança pode estar numa posição errada para nascer. Mas, em quatro décadas, já peguei menino até pelo bumbum e ele e a mãe passaram bem. O médico também não pode subir o morro, acompanhar a mulher e acudi-la de madrugada, enquanto nós fazemos o que precisar, colocando amor e conhecimento nas mãos para pegar a criança”, afirma.

A dificuldade de integração entre o trabalho feito pelas parteiras e a estrutura de saúde pública também foi citada como um dos motivos para a necessidade de a profissão ser reconhecida pelo SUS. “Parteiras são barradas em maternidades quando querem acompanhar a mulher ou pedir materiais, mas elas são as verdadeiras profissionais de saúde da floresta, porque são formadas lá e têm mas experiência do que quem tem a teoria”, disse Edna Brandão, da tribo Shanenawa (AC), coordenadora de uma organização de mulheres indígenas.

Apesar de depender de um conhecimento tradicional, normalmente repassado de mãe para as filhas, o trabalho dessas mulheres é, às vezes, a única alternativa de apoio às gestantes.

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