REUTERS/Athit Perawongmetha
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Passageiros em cruzeiro no Japão começam a sair da quarentena contra coronavírus

Operação vai durar três dias; alguns estrangeiros já foram repatriados

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 04h41

Os passageiros do navio Diamond Princess começaram a desembarcar no Japão no final da quarentena decretada após a detecção de 540 casos de infecção pelo COVID-19, que já causou mais de 2 mil mortes na China. Cerca de 500 passageiros sem sintomas, que tiveram resultado negativo e não tiveram contato com pessoas portadoras do vírus, desembarcarão durante o dia, após final da quarentena de 14 dias. 

"Sinto-me aliviado... quero descansar", disse um japonês de 77 anos a repórteres, que disse que usaria o transporte público. A vida a bordo "era confortável (...) eu estou bem", respondeu quando perguntado sobre a quarentena. Um grande número de ônibus e uma dúzia de táxis aguardavam os passageiros para levá-los ao seus destinos.

Na terça-feira, 18, houve pelo menos 542 casos confirmados, o que desencadeou críticas sobre como a quarentena era gerenciada. Na China, berço da epidemia deste vírus, o saldo ultrapassa 2.000 mortos e 74.000 infectados.

As 3.711 pessoas de 56 países a bordo fizeram um cruzeiro pela Ásia que se transformou em um pesadelo, entre o medo de contrair uma pneumonia viral que pode ser mortal e o tédio infinito de ficar confinado em cabines, às vezes sem janela e com uma pequena Ande no convés como a única distração.

"Se você e seu parceiro de cabine são negativos e não apresentam sintomas respiratórios ou febre, você pode se preparar para desembarcar", anunciaram as autoridades na terça-feira aos passageiros em uma carta, afirmando que a operação levará três dias. 

David Abel, um passageiro britânico que ficou famoso com suas entusiastas mensagens de vídeo no início da quarentena, descreveu o humor dos passageiros confinados. "Isso afeta a todos nós. Não apenas eu, os outros também. O mais difícil é não saber o que vai acontecer e começa a nos afetar mentalmente. É muito difícil se concentrar em alguma coisa", disse Abel. Mais tarde, ele anunciou que o teste de sua esposa Sally havia sido positivo.

Fora da província chinesa de Hubei (centro), "a epidemia afeta uma proporção muito pequena da população", disse Michael Ryan, diretor de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) na segunda-feira. Fora da China continental, houve apenas cerca de 900 casos e apenas cinco mortes (na França, Japão, Filipinas, Taiwan e Hong Kong).

O "Diamond Princess" é, de longe, o portador do vírus mais importante depois da China, com mais infectados do que no resto do mundo. Todos os dias, dezenas de novos casos são detectados a bordo, o que leva a questionar a eficácia da quarentena, durante a qual os passageiros podem andar em pequenos grupos na capa com máscaras, e a equipe distribui a comida pelas cabines.

Vários países decidiram enviar aviões para repatriar seus cidadãos. Os Estados Unidos já evacuaram 300 no domingo de avião, juntamente com 14 passageiros que tiveram resultados positivos pouco antes da partida.

Na manhã de quarta-feira, a Coréia do Sul fretou um avião e repatriou seis de seus cidadãos e uma esposa japonesa, que deve passar 14 dias em quarentena, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Os outros oito sul-coreanos que permanecerem a bordo retornarão ao país assim que os testes forem negativos, informou a agência. O Canadá anunciou que evacuará os canadenses que ficaram negativos antes do final da semana e os submeterá a 14 dias de quarentena.

Dos 256 canadenses a bordo, 43 são portadores do vírus e serão tratados pelo sistema de saúde japonês, informou o governo canadense. O Reino Unido, Hong Kong e Austrália se comprometeram a repatriar seus cidadãos, com 14 dias de confinamento após seu retorno.

Enquanto isso, a tripulação passará por uma quarentena quando o último passageiro partir. /AFP

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