John Scalzi/AP
John Scalzi/AP

Passageiros enfrentam caos em aeroportos americanos

Terminais superlotados e filas de espera de até sete horas expuseram pessoas, especialmente idosos, a riscos

The New York Times, com agências, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 05h00

Passageiros que passaram neste fim de semana pelos principais aeroportos dos Estados Unidos que ainda aceitam voos saídos da Europa enfrentaram terminais superlotados e filas de espera de até sete horas. O caos foi consequência do veto à entrada de europeus, por 30 dias, no território. Os EUA já registraram 1.668 casos de coronavírus e 41 mortos, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os passageiros, muitos deles idosos – um dos grupos de risco para a doença –, não conseguiram manter o distanciamento social por causa da superlotação dos aeroportos, uma reação em cadeia causada pela perda de conexões para outras cidades americanas.

Havia informações confusas e enigmáticas no ar. Longas filas na alfândega e espera de até sete horas em lugares cheios de passageiros. Como o governo americano se apressou anteontem para implementar as restrições impostas pelo presidente Donald Trump a voos da Europa – parte de um esforço para conter o avanço do coronavírus –, o caos foi instaurado em alguns dos maiores aeroportos. 

Em Dallas, viajantes postaram fotos no Twitter de filas longas. Em Nova York, agentes da alfândega com máscaras de papel e plástico, entraram em um voo de Paris. E em Chicago, onde os viajantes relataram esperar em filas por horas, o governador J.B. Pritzker, de Illinois, marcou Trump em uma série de tweets raivosos sobre as longas esperas, dizendo: “O governo federal precisa cuidar desta m... Agora”.

“Eles nos deram água e petiscos, mas não deram informações sobre por quanto tempo ou por quais etapas nós teríamos de passar”, disse Gabrielle Osterman, estudante universitária que perdeu seu voo de conexão em Chicago depois de uma espera de sete horas na alfândega. Gabrielle, que vinha da Alemanha, passando pela Inglaterra, disse que os oficiais perguntaram sobre seus sintomas e mediram sua temperatura antes de lhe dar uma máscara.

No sábado, dias depois do anúncio de restrições a viagens do continente europeu, Trump disse que turistas no Reino Unido e Irlanda seriam em breve impedidos de viajar aos Estados Unidos. Cidadãos americanos, residentes permanentes legais e seus familiares menores de 21 anos, que tenham visitado países europeus nas últimas duas semanas estão autorizados a retornar ao país, mas as companhias aéreas vão reagendar suas passagens para um dos 13 aeroportos designados.

Em Nova York. Em Nova York, autoridades discutem ampliar o fechamento de atividades não essenciais. Escolas já estão com as atividades encerradas e há impedimento ao funcionamento de locais que permitam aglomeração maior do que a de 500 pessoas. O entendimento, no entanto, é de que as medidas não estão funcionando: o Estado de Nova York tem 729 confirmados, e o Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) recomendou o fechamento de locais com mais de 50 pessoas pelas próximas oito semanas. / NEW YORK TIMES E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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