Passeata pede doação de órgãos de anencéfalo

Responsável por conseguir a primeira autorização no País para transplante de órgãos de bebês com anencefalia (sem cérebro e chances de sobrevivência), o casal Beatriz e Rafael Paim reuniu ontem mais de 500 pessoas nas praias de Ipanema e Leblon, zona sul do Rio, em uma passeata em prol da doação de órgãos. Lá, anunciaram a decisão de entrar na Justiça para punir o médico que se recusar a adotar as medidas necessárias para o procedimento. ?Há casos em que eles (os médicos) exigem autorização judicial, como aconteceu em Pernambuco. Em outros, pedem que eu volte no dia seguinte. Existe uma resolução que autoriza a doação, por isso o médico que impedir o procedimento corre o risco de ser processado?, desabafou Paim, pai de Arthur, de dois meses, que precisa de um novo coração para continuar vivendo. Uma das participantes da passeata foi a auxiliar de escritório Vanessa Nunes Rangel, de 23 anos, e seu marido, o fiscal de loja Maximiliano Queiroz Rangel, 26 anos. No quarto mês de gestação, souberam que a filha não tinha o cérebro formado. ?Quero ter minha filha. Penso que um pedacinho dela pode viver, batendo no peito de outro bebê?, disse Vanessa, que espera a filha para as próximas semanas. Um outro casal também se dispôs a doar os órgãos do filho. Desde o início da campanha (www.doeacao.com.br ou 0800 28 28 131) lançada pelo casal, eles conseguiram a permissão de 11 pais. A maioria dos bebês, porém, nasceu com peso abaixo do necessário para ser doador de Arthur. Internado no Hospital Pró-Cardíaco, Arthur conseguiu se livrar de uma infecção na semana passada e está com 3,5 quilos. O doador deve ter cerca de 3 quilos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.