Paulistano muda de profissão após diagnóstico de doença

Paulistano muda de profissão após diagnóstico de doença

‘Tento me apegar sempre ao diagnóstico otimista’, diz estudante que pode perder a visão

André Cáceres, O Estado de S. Paulo

26 Dezembro 2016 | 06h00

Victor Coelho estava fazendo exames de rotina no oftalmologista por conta de sua miopia e astigmatismo quando descobriu que tinha uma doença chamada degeneração lattice e que, por isso, poderia deixar de enxergar. “Na época eu tinha miopia e astigmatismo e fui fazer um exame para saber como estava minha situação”, relembra o jovem de 29 anos.

Embora ainda não haja cura para o problema, que tem raízes genéticas, o tratamento é feito com cirurgias a laser realizadas nos olhos com o intuito de que as retinas não se rompam. Coelho já se submeteu a esse procedimento diversas vezes nos últimos anos, desde que foi diagnosticado.

A primeira vez foi no mesmo dia em que descobriu a degeneração lattice. Pego de surpresa, ele fez a cirurgia logo após o resultado do exame. “Meus sentimentos começaram a aflorar após a evolução do tratamento, com alguns médicos me dizendo como estavam as minhas chances de que algo pior aconteça ou não”, conta.

O prognóstico já foi que Victor teria 85% de chance de perder a visão por conta do problema degenerativo, mas ele afirma que essa porcentagem costuma variar com o tempo e a cada novo exame. Na época que ficou sabendo da doença, Victor estudava Ciência da Computação e era desenvolvedor de games e aplicativos para plataformas móveis. O baque da descoberta foi tão grande que ele decidiu mudar completamente sua rotina. 

“Passei a me importar menos com o amanhã, com o que pode acontecer. Passei a viver o hoje, viajar mais, dar chance para conhecer novas pessoas, ajudar mais o próximo”, reflete Victor. “Sobretudo, parei de me importar com o que os outros acham e pensam a respeito de mim”. 

O então desenvolvedor decidiu apostar na comunicação, um sonho antigo, e largou tudo para começar a cursar jornalismo. “Adotei o ‘carpe diem’ [expressão em latim que significa “Aproveite o dia”, em tradução livre] como lema de vida e passei a fazer as coisas sem pensar muito no peso do amanhã. Tanto é que larguei minha profissão e digo que nunca fui tão feliz em toda minha existência”, comemora o estudante.

Atualmente Victor está cursando o terceiro ano de jornalismo, faz estágio em uma rádio e já participou e apresentou diversos programas. Ele segue se tratando e enxergando o copo sempre meio cheio. “Alguns oftalmologistas já apontaram que existe uma grande chance de perder a visão, outros falaram que a doença está bem estagnada e que eu poderei enxergar normalmente por um bom tempo. Então tento me apegar sempre ao diagnóstico otimista”, afirma o radialista.

Enquanto segue buscando seus sonhos no novo setor profissional, Victor chega a se esquecer de qualquer problema de saúde. “Confesso que na maioria das vezes até me esqueço que tenho isso. A pior parte é quando vou ao oftalmologista. Lembro-me de todo aquele susto inicial e tenho medo de que algo pior venha a acontecer, mas sou grato por tudo que conquistei até hoje”, conclui o futuro jornalista. 

Mais conteúdo sobre:
Viver Melhor saúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.