Pedida prisão de médico processado por morte em lipoaspiração

Dionísio Marcelo Caron não compareceu ao Tribunal de Júri e é acusado de atrapalhar o processo

Rubens Santos, especial para o Estado,

04 de setembro de 2008 | 21h17

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 13ª Vara Criminal de Goiânia, decretou nesta quinta-feira, 4, a prisão do médico Dionísio Marcelo Caron, de 45 anos, por não comparecer ao Tribunal de Júri, na terça-feira, 2. Ele está sendo julgado pela morte da advogada Janet Virginia Novais Falleiro de Figueiredo, sua ex-concunhada, que teve o intestino perfurado em uma cirurgia de lipoaspiração, em 2001, num hospital de Goiânia.   O juiz Jesseir Alcântara alegou, na ordem de prisão, que o processo contra Caron, acusado de homicídio qualificado, "nunca anda". Porque, além de não se apresentar à Justiça, quando intimado, o ex-médico tornou-se uma pessoa difícil de ser localizada pelos oficiais de Justiça.   Cirurgião sem diploma de especialização, e com o registro de médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Dioniso Caron tem contra si o registro de cinco mulheres - inclusive da advogada Janet Figueiredo - que morreram após serem submetidas às lipoaspirações. E de 19 outras mulheres que sofreram mutilações no corpo por erro do médico.   De acordo com dados contidos no processo, o engenheiro civil Vanius Chaves de Figueiredo, viúvo da advogada Janet Figueiredo, garantiu ao juiz Jesseir Alcântara que um dia após se submeter à lipoaspiração com Caron, sua mulher começou a reclamar de dores. Preocupado, acionou o então cirurgião plástico por telefone. Até sugeriu a realização de Raios X, que o médico considerou um exame desnecessário.   As 19 mulheres que sofreram mutilações no corpo durante as cirurgias praticadas pelo médico, acabaram tendo que se submeter a cirurgias reparadoras. Entre as mutilações mais comuns entre elas estavam auréolas dos seios fora do lugar, formato desproporcional dos seios, e cortes que resultaram em deformidades no corpo.   Dados repassados ao juiz sobre a localização do médico, indicaram que ele foi visto na Praia da Pipa, em Natal (PR), cidade para onde teria se mudado após deixar São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Outras informações indicam que Caron teria sofrido um acidente e fraturado o fêmur. Sem confirmações sobre o paradeiro, o juiz decretou a prisão.

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