FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Pedidos de aval para estudos triplicam no Brasil e motivam força-tarefa

Prazo para autorização de pesquisas com humanos passou de 25 dias para uma semana durante a pandemia

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2020 | 13h54

Com a corrida de cientistas por tratamentos e vacinas contra a covid, a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) viu o número de pedidos por autorização para estudos com humanos triplicar na pandemia e teve que montar uma força-tarefa para acelerar as análises.

Segundo o coordenador do órgão, Jorge Venâncio, a comissão levava, antes da pandemia, 25 dias, em média, para dar uma resposta sobre os protocolos. Com a covid, o prazo máximo passou para sete dias. Em alguns casos, o aval do órgão foi dado em apenas 72 horas.

Quando chega um protocolo de pesquisa, ele passa por uma assessoria técnica, um relator e depois vai para avaliação da câmara técnica da Conep. Tradicionalmente, as reuniões de câmara técnica aconteciam uma vez por mês, durante três dias. Com a pandemia, passamos a fazer reuniões diárias, inclusive aos sábados e domingos”, conta Venâncio. “Em alguns dias, chegamos a realizar três ou quatro reuniões de câmaras diárias simultaneamente”, completa.

No grupo que avalia os protocolos estão os 30 membros titulares da comissão, 5 suplentes e 15 especialistas externos. Todos trabalham de maneira voluntária, sem remuneração. “Foi um grande esforço, ainda mais contando que essas pessoas têm outras atividades em suas instituições de pesquisa. Mas, diante do momento atípico, houve uma motivação para ajudar. Consideramos que, de certa forma, também estávamos na linha de frente de combate à pandemia.”

A maior celeridade na aprovação dos estudos e a experiência do País em ensaios clínicos são apontados por cientistas como fatores que também ajudaram a trazer estudos internacionais para o Brasil. A vinda de mais pesquisas globais fortalece a ciência nacional e traz benefícios para pacientes brasileiros, dizem os pesquisadores.

“Quando o País participa de um estudo, somos incluídos na discussão científica sobre o uso da medicação e temos a oportunidade de ver os resultados em pacientes brasileiros, com as particularidades clínicas e sociais da nossa população”, diz Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP. “Além disso, já se inicia uma discussão sobre inclusão desse medicamento na rede pública caso ele seja registrado”, afirma.

Segundo Otávio Berwanger, do Einstein, em alguns estudos, como o que a instituição conduz com a AstraZeneca, o Brasil tem papel de liderança, o que aumenta a visibilidade de cientistas brasileiros. “Nesse estudo, fazemos parte do comitê executivo do projeto, estamos na liderança científica, com papel de protagonismo.”

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