Pela 1ª vez em dez anos, incidência de dengue deixa de ser baixa na capital paulista

Taxa registrada é superior a 100 casos por 100 mil habitantes. Doença, porém, apresenta tendência de baixa

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

19 Junho 2014 | 20h22

SÃO PAULO - Pela primeira vez em pelo menos dez anos, o índice de incidência de dengue na cidade de São Paulo deixou de ser considerado baixo, conforme balanço divulgado ontem pela Secretaria Municipal da Saúde. Com 11.392 casos confirmados em menos de seis meses, a cidade tem taxa de 101,2 registros por 100 mil habitantes.

De acordo com a classificação do Ministério da Saúde, o índice deixa de ser baixo e passa para médio quando ultrapassa os 100 casos por 100 mil habitantes. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, que forneceu os dados da doença referentes aos últimos dez anos, isso nunca havia acontecido no período monitorado.

Mesmo em 2010, quando a cidade registrou o pior surto da doença no intervalo de dez anos, o índice de incidência do ano inteiro ficou em 53 casos por 100 mil habitantes - metade do registrado em apenas seis meses de 2014. Apesar da marca, o número de casos registrados no ano vem caindo, segundo os dados da Prefeitura. No balanço anterior, divulgado no dia 12, eram 10.124 casos, mas poucos deles foram registrados nos últimos sete dias. A maioria dos registros novos é de pacientes que foram infectados em meses anteriores, mas só confirmados agora.

De acordo com a Prefeitura, mais da metade de todos os casos registrados no ano ocorreram no período entre 23 de março e 19 de abril, quando foi registrado o pico da doença.

Em todo o ano passado, foram 2.617 casos e duas mortes. Neste ano, já foram confirmados oito óbitos. Entre as vítimas estão uma criança, dois homens e cinco mulheres. Apesar de a Prefeitura não ter confirmado novas mortes nos informes das duas últimas semanas, outros dez óbitos estão sob investigação pela Prefeitura.

Emergência. Assim como na semana passada, 11 dos 96 distritos da cidade seguem com transmissão de dengue em nível de emergência. 

A maioria deles está na zona oeste, região mais afetada. Jaguaré continua liderando o ranking do número de casos, com 1.430 registros e taxa de incidência de 2.867,9, considerada alta de acordo com a classificação do Ministério da Saúde. Também estão em nível de emergência os distritos de Rio Pequeno, Lapa, Raposo Tavares (zona oeste), Vila Jacuí, Itaquera, Cidade Líder (zona leste), Tremembé, Pirituba (zona norte), Campo Limpo e Capão Redondo (zona sul). Outros 34 distritos estão em nível de alerta, segundo a Prefeitura. Apenas dois distritos, Marsilac e Socorro, não tiveram nenhum registro da doença no ano, de acordo com o balanço oficial.

Pico e prevenção. A Prefeitura afirma que, “apesar do crescimento de casos confirmados nas últimas semanas, o número de notificações começou a desacelerar, e é provável que o pior período da dengue neste ano já esteja superado”. A administração municipal ressaltou ainda que a população deve continuar “mobilizada no combate ao mosquito transmissor e atenta aos sintomas”.

De acordo com a administração municipal, até o próximo domingo, todas as regiões da cidade receberão ações de prevenção e combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti. Na zona oeste, região com o maior número de casos, as ações contemplarão a área de cinco subprefeituras.

No total, os agentes da Prefeitura farão vistoria em cerca de 3,6 mil imóveis para investigar se há criadouros. Nas zonas norte e sul, além das visitas dos agentes, serão realizadas dezenas de nebulizações com o objetivo de matar o mosquito já na idade adulta.

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