Pela primeira vez, Brasil lidera ranking de cirurgias plásticas no mundo

País superou EUA e hoje representa 13% de todas as operações realizadas para fins estéticos

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2014 | 06h13

Atualizada às 19h37

GENEBRA – Pela primeira vez, o Brasil superou os Estados Unidos e atualmente é o País com o maior número de cirurgias plásticas para fins estéticos. Segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, mais de 23 milhões de intervenções foram realizadas em 2013 no mundo. Deste total, 1,49 milhão, ou 13%, ocorreram no País.

Os números divulgados nesta terça-feira, 29, contemplam cirurgias e tratamentos menos invasivos, como aplicação de botox. A associação reúne 2,7 mil membros, espalhados em 95 países. O Brasil lidera o ranking por uma diferença pequena, de cerca de 40 mil procedimentos. Nos EUA, o total chegou a 1,45 milhão, ante 486 mil no México, que ocupa o terceiro lugar.

O estudo ainda aponta que a cirurgia de aumento de seios continua a mais popular no mundo, com 1,7 milhão de casos em 2013, representando 15% de todas as intervenções. Nos EUA, foram 313 mil cirurgias desse tipo e 226 mil no Brasil – por aqui, o procedimento com a maior procura é a lipoaspiração ou lipossucção. No ano passado, foram 227 mil.

Além dessas intervenções, o Brasil ainda somou 139 mil casos de mastopexia – operação para levantar seios – e 77,2 mil cirurgias de nariz, segmento no qual é líder mundial. O México vem em segundo lugar, seguido pelos EUA, México e o Irã, onde a prática é disseminada. 

O Brasil também lidera nas cirurgias de abdômen. Foram 129 mil intervenções, 15% de tudo o que foi realizado no mundo em 2013. Em segundo lugar estão os EUA, com 119 mil casos.

O recorde já era esperado, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), João de Moraes Prado Neto. Segundo ele, a popularização das diversas técnicas e a melhora da condição financeira dos brasileiros explicam a liderança no setor.

Além disso, o número de clínicas e de profissionais especializados também colaboram. O Brasil tem hoje 4,8 mil cirurgiões habilitados, o segundo maior contingente, superado apenas pelos EUA. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram a maior parte desses médicos. Nos três Estados, a oferta gera concorrência entre as clínicas, que, em busca de pacientes, apelam para financiamentos sem juros e promoções de inverno.

A propaganda exagerada é uma preocupação da classe médica. Moraes Prado acredita que as facilidades “ferem de morte o código de ética” e devem ser apuradas. “A cirurgia plástica não pode ser considerada uma mercadoria barata.” Para o presidente da SBCP, no entanto, essa prática ajudou a colocar o Brasil no primeiro lugar do pódio.

Botox. Na soma dos procedimentos não cirúrgicos, como a aplicação de botox, os norte-americanos ainda lideram o ranking mundial de ações estéticas, com 3,9 milhões de intervenções, ante 2,1 milhões no Brasil. A aplicação de botox no País chegou a 308 mil casos em 2013, além de 71 mil intervenções para eliminação de pelos e 61 mil tratamentos de rejuvenescimento facial.

A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética ainda informou que o público feminino é o que mais recorreu às operações estéticas. Em 2013, 9,9 milhões de mulheres se submeteram a procedimentos cirúrgicos, alcançando 85% do total. Os homens foram responsáveis por outro 1,6 milhão de cirurgias no ano passado.

Ao comentar a liderança brasileira, a entidade responsável pelo estudo ressaltou que uma parte das operações realizadas no Brasil tem estrangeiros como pacientes. Muitos deles viajam em busca da qualidade reconhecida da técnica nacional e dos preços praticados pelas clínicas brasileiras. Na capital paulista, uma lipoaspiração, por exemplo, é negociada por cerca de R$ 6 mil.

Latinos. A posição brasileira no ranking não chega a surpreender. São os países de cultura latina e mediterrânea os que mais registram cirurgias plásticas no mundo. Entre os dez primeiros, sete são latinos: Brasil, México, Colômbia, Venezuela, Argentina, Espanha e Itália. Além dos EUA, os únicos “intrusos” no ranking são os alemães, na quarta posição. Mas com apenas um quinto das cirurgias realizadas no Brasil em 2013. / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

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