Eduardo Shiroma/ Wiki commons
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Pequenas cidades confirmam primeiros casos de coronavírus e ampliam isolamento no interior

Prefeituras reforçam medidas contra a propagação do vírus e apelos para a população ficar em casa ganham contornos dramáticos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 18h08

SOROCABA – Pequenas cidades do interior de São Paulo começam a conviver de perto com a pandemia do coronavírus. Sem estrutura hospitalar para atender os primeiros casos positivos, as prefeituras reforçaram as medidas contra a propagação do vírus e os apelos para a população ficar em casa ganharam contornos dramáticos. “Gente, ficar em casa, o negócio é ficar em casa, total isolamento social. Se vocês não ajudarem a gente, a gente não consegue ajudar vocês”, alertou o secretário da Saúde de Águas de São Pedro, João Victor Barboza.

A cidade de 3.205 habitantes, estância turística conhecida pelas fontes de águas minerais, confirmou o primeiro caso esta semana. A paciente, de 58 anos, esteve em viagem ao exterior, foi tratada após apresentar os sintomas e está em isolamento domiciliar com a família. O estado de saúde dela é bom. Conforme o secretário, pessoas que tiveram contato com a moradora estão sendo abordadas.

A prefeitura suspendeu todos os atendimentos presenciais, à exceção dos serviços de saúde e segurança, e reforçou medidas de isolamento. O balneário municipal e as fontes de água estão fechados, assim como o Caminho do Sol – roteiro de peregrinação que tem o ponto final na cidade. Os locais públicos de maior movimento estão sendo lavados com água clorada. Mesmo assim, novas medidas de contenção podem ser adotadas, segundo o secretário. “A gente está vendo muitos idosos saindo às ruas, indo para o mercado, o que não pode.”

Em Alambari, cidade de 5.918 habitantes, a prefeitura confirmou o primeiro caso positivo no dia 31. O paciente, um homem de 46 anos, está internado em um hospital particular de Sorocaba, com quadro estável. Conforme a prefeitura, ele fez viagens ao exterior. A família está em isolamento domiciliar. A cidade tem três postos de saúde, mas os casos graves são encaminhados para Itapetininga e Sorocaba, centros urbanos maiores.

A chegada do vírus assustou os moradores. A comerciante Kelly Cristina Machado Juiz, dona de um restaurante e loja de conveniência, diz que a cidade parou ainda mais. “Até o movimento de delivery, que já estava fraco, diminuiu. A cidade, que normalmente não tem muito movimento, agora está deserta.”

Um adolescente de 14 anos, cujos pais viajaram para a capital, acompanhando familiares em uma cirurgia, é o primeiro caso confirmado de Ilha Comprida, no litoral sul do Estado. Ele apresentou sintomas na última semana e passou por atendimento no Posto Avançado Covid-19, montando no centro cultural da ilha. O jovem entrou em isolamento familiar e o resultado positivo saiu na terça-feira (31). Outros 23 casos suspeitos estão em investigação.

A cidade, com 10.291 habitantes, foi isolada por barreiras na única ponte de acesso. O prefeito Geraldino Junior (PSDB) disse que o isolamento será reforçado. “Diariamente passam pela barreira 1.600 veículos da ilha que vão até Iguape resolver algum problema. Pensamos que muitas coisas podem ser adiadas. Esse é o momento de prevenirmos. Não saiam de casa”, pediu. O posto avançado, com médicos e profissionais de enfermagem, está aberto 24 horas para avaliação e tratamento dos casos suspeitos. Paciente com sintomas graves são encaminhados para hospitais de Registro e Pariquera-Açu.

Em Pindorama, de 16.342 moradores, o primeiro e único caso confirmado da doença atingiu a prefeita Maria Inês Miyada (PSDB). Ela apresentou os sintomas depois de viajar a São Paulo em compromissos oficiais. A cidade não tem hospital. A prefeita ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Domingos, em Catanduva, e teve alta nesta quinta-feira (2). Ela seguirá o isolamento domiciliar por 14 dias. A cidade tem dois casos de coronavírus em investigação.

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