Celio Messias/Estadão
Celio Messias/Estadão

Perdi o cartão de vacinação da covid, e agora? Tire suas dúvidas sobre as doses do imunizante

Estar longe do posto de saúde em que recebeu a primeira aplicação não é impedimento para receber o reforço

Marianna Gualter, especial para o Estadão

21 de junho de 2021 | 20h00

SÃO PAULO - Conforme a vacinação contra a covid-19 avança, a população se depara com novas dúvidas sobre a aplicação dos imunizantes. No Estado de São Paulo, por exemplo, quem perdeu o cronograma para a primeira dose não enfrenta obstáculos para recebê-la atrasada. A segunda aplicação ainda deve ocorrer mesmo em caso de positivo para o novo coronavírus depois da primeira. E, em geral, vacinas específicas não podem ser prescritas por médicos.

O Estadão compilou essas e outras questões sobre a vacinação. As perguntas foram respondidas com base em informações fornecidas pelas secretarias de Saúde do Estado e cidade de São Paulo, pelo Ministério da Saúde e por reportagens feitas pelo Estadão.

Perdi o cartão que registrava a primeira dose da vacina contra covid. Como tomar a segunda?

Além do cartão, os dados dos cidadãos vacinados também são registrados em um sistema online, o Vacivida. Por isso, em caso de perda, basta ir na data estabelecida para a segunda dose da vacina contra covid até uma das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou uma das unidades montadas para vacinar a população, como drive-thrus, postos volantes e mega postos de vacinação. Os dados cadastrais serão consultados no sistema e será possível receber o imunizante.

Preciso tomar a primeira e a segunda dose da vacina contra covid na mesma unidade de saúde?

Não. O ideal, porém, por questões logísticas, é retornar ao local da aplicação original. 

Posso tomar as doses da vacina contra covid em Estados ou cidades diferentes?

Sim, é possível tomar a segunda dose da vacina contra covid em um local diferente da primeira. Para isso, só é preciso levar o cartão de vacinação ou solicitar que a unidade escolhida consulte o sistema online.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo esclarece que essa possibilidade está prevista considerando, por exemplo, pessoas que precisam viajar a trabalho ou por motivos pessoais.

Perdi o cronograma para o meu grupo e a repescagem. Como tomar a primeira dose da vacina contra covid?

Neste caso, basta ir até uma UBS ou uma unidade montada e receber o imunizante contra a covid. A recomendação, contudo, é cumprir o prazo estipulado pelas autoridades.

Perdi a data indicada para a segunda dose da vacina contra covid. Posso tomar depois?

A recomendação é cumprir o prazo estabelecido no momento da primeira dose da vacina contra covid. Porém, caso ultrapasse a data, o cidadão ainda pode receber o imunizante normalmente, só precisa ir até um posto de vacinação. 

Quanto à eficácia da vacina, ela não deve ser prejudicada caso o atraso seja de pouco tempo, afirma Paola Minoprio, doutora em Imunologia pela Universidade Pierre e Marie Curie (França). “O sistema imunológico não conhece dias, conhece processamento”, diz. “Se o reforço atrasar um pouquinho, não tem problema, porque o sistema vai ser capaz de reconhecer esse reforço e de preparar a resposta”.

Tenho uma doença autoimune, como esclerose. Meu médico indicou uma vacina específica contra covid. Isso é permitido? Como devo proceder na unidade de saúde?

O Estado de São Paulo esclarece que essa prática não é permitida. Médicos não podem prescrever imunizantes contra covid específicos para pacientes. Pessoas com doenças autoimunes, como a esclerose, podem ser vacinados com qualquer uma das três vacinas disponíveis hoje no Brasil, segundo a secretaria.

Contudo, a pasta indica que “a avaliação do benefício em relação ao risco e a decisão referente à vacinação deverá ser realizada pelo paciente em conjunto com o médico. É necessária a avaliação e prescrição médica.”

Caso ocorra um agravo da condição em até 30 dias após a primeira dose, a segunda deve ser suspensa temporariamente. Nesse intervalo, o órgão solicita que a situação seja investigada para afastar a possibilidade de outros diagnósticos.

Sou gestante. Preciso levar algum pedido do médico ou procurar uma unidade de saúde específica para receber a vacina contra covid?

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo afirma que, de modo geral, só é preciso levar o Cartão ou a Caderneta da Gestante. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, grávidas devem receber apenas as vacinas do Instituto Butantan ou da Pfizer contra a covid.

Não há uma estratégia universal de vacinação do grupo, por isso, para não perder a viagem até um posto, o ideal é entrar em contato com o município de residência e verificar em quais unidades esses imunizantes são ofertados. Em algumas cidades, por exemplo, há o direcionamento de todas as gestantes para um único local.

Na cidade de São Paulo, é necessário levar uma autorização ou recomendação médica considerando o risco-benefício da vacinação. O documento precisa incluir o nome do profissional e o CRM. Já as puérperas precisam portar uma declaração de nascimento da criança, como a certidão.

O Ministério da Saúde recomenda que gestantes e puérperas que já tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19 do laboratório AstraZeneca aguardem o fim do puerpério (período de 45 dias após o parto) para receberem a segunda dose desse imunizante.

Testei positivo para a covid após a primeira dose da vacina. Devo tomar a segunda? 

Seja antes ou depois da primeira dose, caso apresente algum sintoma gripal ou respiratório, ou ainda febre moderada ou grave, a vacinação contra covid deve ser adiada até a plena recuperação.

O adiamento também vale para os casos confirmados de covid. A recomendação é aguardar pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas ou da data de diagnóstico para receber a vacina. 

Não consigo levantar da cama, mas não sou classificado como acamado. Como proceder?

A Secretaria Estadual de São Paulo considera que há muitas variantes incluídas neste questionamento. Por isso, aconselha que as pessoas entrem em contato com suas respectivas instâncias municipais.

No Estado de São Paulo não há uma iniciativa unificada para a vacinação contra covid de acamados. Cada prefeitura deve decidir como proceder em relação ao público.

Na capital, por exemplo, a orientação para idosos acamados é que os familiares entrem em contato com a UBS de referência da região e solicitem o atendimento. “A orientação é que a UBS registre a solicitação e realize o agendamento com a família para aplicação da vacina”.

Tive reações leves (dor de cabeça, dor muscular e febre baixa) após a primeira dose da vacina contra covid. Devo tomar a segunda? 

Em geral, a resposta é sim. O indicado, porém, é procurar um serviço de saúde e passar pela avaliação de um médico. 

Todas as vacinas contra covid disponíveis hoje no País são eficazes e seguras, ressalta a infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Mirian Dalben. 

Sobre a procura de alguns cidadãos por imunizantes específicos, em detrimento de outros, ela pontua: "Pode ser que depois de um tempo, no futuro, possa se dizer que uma é melhor que a outra para determinada população". Agora, porém, é importante tomar a opção disponível, assegura a especialista. “Não dá para ser sommelier de vacina."

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Preciso ter cartão do SUS para tomar a vacina?

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, é necessário levar apenas um documento de identificação, que pode ser o RG ou o CPF. As pessoas com comorbidades também devem apresentar documentos médicos com o CRM do médico sobre sua condição de saúde.

Ao receber a primeira dose, ele vai receber um comprovante de vacinação que deve ser levado para tomar a segunda dose. De acordo com a pasta, a medida é “para que o profissional de saúde verifique qual foi a vacina aplicada na primeira vez e se o intervalo de tempo de aplicação entre as duas doses está correto”.

Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) publicaram nota destacando a importância da identificação de quem está sendo vacinado e solicitando que a população atualize, preferencialmente, número do CPF ou do Cartão Nacional de Vacinação.

Não tenho comprovante de residência no meu nome. O que eu faço?

Na capital paulista, o comprovante de residência passou a ser exigido no fim de maio para grupos prioritários. Segundo a gestão municipal, caso o comprovante esteja no nome de um familiar, será necessário comprovar o grau de parentesco.

Além do cartão de vacinação, existe outro comprovante oficial de que me vacinei?

Sim. De acordo com o Ministério da Saúde, a última atualização do aplicativo Conecte SUS permite o registro das doses aplicadas contra a covid-19. /COM AGÊNCIA BRASIL

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