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Perguntas e respostas: é preciso avaliar ida ao médico diante da pandemia

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Pacientes com doenças crônicas ou fazendo tratamento oncológico não devem cancelar consultas ou terapias

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 05h00

Com a necessidade de fazer isolamento social imposta pelo novo coronavírus, pessoas que têm consultas agendadas ou fazem terapias não sabem se devem manter o atendimento ou cancelar. A orientação de especialistas é, se possível, conversar com médicos para que a decisão seja tomada em conjunto.

Pacientes com doenças crônicas ou fazendo tratamento oncológico não devem cancelar consultas ou terapias, pois há o risco de descompensar a doença, o que pode levar à internação. Para pessoas que estão saudáveis e só precisam entregar exames ou tirar dúvidas, a recomendação é deixar a consulta para outro momento. Uma alternativa é se valer da recente liberação da telemedicina pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). 

Neste momento, são permitidas as seguintes modalidades: teleorientação, para que médicos possam orientar e encaminhar pacientes em isolamento a distância; telemonitoramento, situação em que o médico monitora a distância parâmetros de saúde do paciente, e teleinterconsulta, para troca de informações e opiniões entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

O Estado levantou dúvidas com base em questões enviadas por leitores do grupo EstadãoInforma: Coronavírus, espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia criado pelo jornal no Facebook. As respostas têm como base entrevistas com Clay Brites, pediatra e neurologista infantil do Instituto NeuroSaber; Felipe Monti Lora, pediatra e gerente médico responsável pelo Centro de Excelência do Sabará Hospital Infantil; Hélio Castello, cardiologista, intervencionista e diretor do Grupo AngioCardio; Leonard Verea, médico psiquiatra; Linamara Rizzo Battistella, médica fisiatra, professora titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Conselho Diretor do Instituto de Medicina Física e Reabilitação Rede Lucy Montoro; Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabete do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; e reportagens do Estado. O grupo é um espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia. Qualquer usuário pode se inscrever e enviar dúvidas. 

 

Consultas médicas agendadas devem ser canceladas?

Para pacientes saudáveis, que só vão fazer check-up ou a entrega de exames, a consulta pode ser reagendada. O paciente também pode tirar dúvidas com o médico remotamente. A situação muda em casos de pacientes com doenças crônicas, como problemas cardiovasculares e diabete, que estão descompensados. Estes precisam manter o acompanhamento para evitar o agravamento das doenças, o que poderia levá-los a internações. 

 

E no caso de consultas com o pediatra? Devo remarcar?

A mesma regra vale para crianças que fariam o acompanhamento de peso, tamanho e não apresentam sintomas de doenças. Se a criança estiver com sintomas leves de gripe, o ideal é falar com o pediatra e não levar a criança para a clínica ou ao pronto-socorro. A avaliação médica deve ser mantida se a criança fizer acompanhamento para doenças crônicas, como diabete, câncer, doenças renais, quadros de epilepsia, por exemplo. Caso esteja com febre, prostrada e com gripe forte, pode ser levada ao pediatra, mas deve usar máscara para não infectar outras pessoas. A mesma regra vale se ela apresentar mudança de comportamento e parar de comer. 

Se a consulta for mantida, quais medidas devem ser adotadas para ir ao consultório com segurança?

O ideal é evitar aglomerações e manter as práticas de higiene, como lavar as mãos ao chegar e sair do local e não tocar no rosto. Evitar tocar e ficar perto de outras pessoas durante a espera pela consulta. Também é importante ser pontual para evitar acúmulo de pessoas na recepção.

Quando devo ir ao pronto-socorro?

Em caso de agravamento dos quadros de febre e mal-estar, ao sofrer traumas e demais situações de gravidade. O ideal é não ir ao local se apresentar sintomas leves. Na dúvida, converse com seu médico. 

No caso de pacientes que fazem uso de medicações associadas à potencialização da infecção pelo novo coronavírus, como alguns medicamentos para hipertensão, o tratamento deve ser mantido?

Sim. Até o momento não há evidência científica que indique a suspensão desses medicamentos, mas parar a medicação anti-hipertensiva pode piorar a situação do paciente. 

 

Faço tratamento de reabilitação por ter sofrido um acidente ou derrame, por exemplo. Devo parar de ir?

O paciente deve conversar com profissionais que o acompanham, antes de qualquer cancelamento, pois há uma série de medidas e cuidados ao desenvolver o tratamento em casa. Com estratégias domiciliares, é possível reduzir as idas ao centro de reabilitação sem prejudicar a terapia.

Devo cancelar consultas com o psiquiatra?

Não. O paciente em tratamento deve manter as consultas, pois, ao longo delas, vai ser reavaliado. A interrupção cria descompensações cerebrais que atrapalham a evolução do paciente e a vitória dele contra as questões que o levaram a precisar de tratamento.

Tomo remédio controlado, que está acabando. Devo ir buscar a receita?

Sim, o tratamento não deve ser interrompido. Caso precise ir ao consultório, tome os cuidados de evitar aglomerações e higienizar as mãos. O Ministério da Saúde determinou que pacientes vão poder retirar, em um único atendimento, medicamentos dispensados nas drogarias e nas farmácias credenciadas ao programa “Aqui Tem Farmácia Popular” para realizar o tratamento por até 90 dias. Não será exigido o reconhecimento de firma em cartório para pacientes que ainda não têm procuração e não têm condições de fazer a retirada do medicamento.

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