FELIPE RAU/ESTADAO
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Perguntas e respostas: por que é importante tomar vacina contra a gripe

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Imunizante não serve para o coronavírus, mas a recomendação é manter a carteira de vacinação em dia

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2020 | 05h00

Ainda não há uma vacina para o novo coronavírus, a covid-19, e a estimativa do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, é de que o imunizante ainda deve demorar pelo menos 18 meses para estar disponível para a população.

Nesta semana, cientistas israelenses anunciaram que estão no estágio final de uma vacina oral contra a doença e que os testes em humanos devem começar em 1.º de junho. No dia 16 de março, cientistas americanos iniciaram o primeiro teste em humanos de uma possível vacina contra o novo coronavírus. De acordo com comunicado dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), órgãos vinculados ao governo americano, a fase 1 da pesquisa clínica envolve 45 voluntários, com idades entre 18 e 55 anos. O experimento deve durar 1 ano.

Enquanto a imunização não é possível, a recomendação é manter a carteira de vacinação em dia para se proteger contra outras doenças e seguir as orientações de fazer isolamento social, lavar as mãos e evitar aglomerações.

Tomar a vacina contra a gripe não evita a covid-19, mas protege os grupos de risco contra influenza e evita internações e mortes. Por isso, o Ministério da Saúde antecipou a campanha de vacinação, começando pelo principal grupo de risco para a nova doença: os idosos.

O Estado levantou dúvidas com base em questões enviadas por leitores do grupo EstadãoInforma: Coronavírus, espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia criado pelo jornal no Facebook. As respostas têm como base entrevistas com Ana Karolina Barreto Marinho, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) e Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), e também reportagens publicadas no Estado. O grupo é um espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia na rede social. Qualquer usuário pode se inscrever e enviar suas dúvidas. 

 

Por que a vacina contra a gripe é recomendada durante a pandemia do novo coronavírus?

Ao se vacinar contra a gripe, os grupos de risco evitam as formas mais graves da doença, que podem levar a internações e até à morte. Com menos pacientes infectados pela gripe, o diagnóstico do novo coronavírus também fica menos difícil, porque as duas doenças têm sintomas parecidos. Neste momento, o ideal é que as pessoas evitem as doenças que podem ser prevenidas com vacinas.

 

A vacina da gripe protege em algum momento contra o novo coronavírus?

Não. A vacina aplicada neste ano protege contra os três tipos de vírus da gripe que mais circularam no Hemisfério Sul em 2019: Influenza A (H1N1), Influenza B e Influenza A (H3N2).

 

Já existe vacina para a covid-19?

Desde que o vírus começou a se espalhar, cientistas de países como China e Estados Unidos começaram a realizar estudos para desenvolver uma vacina. Como as pesquisas ainda estão em fase de testes, ainda não há como estimar quando ela estará disponível. Cientistas israelenses também estão desenvolvendo uma vacina oral, mas ela só deve começar a ser testada em humanos em junho.

 

Devo tomar a vacina pneumocócica para me proteger contra o coronavírus?

Não, segundo a OMS, as vacinas contra pneumonia, como a vacina pneumocócica e a vacina contra o Haemophilus influenza tipo B (Hib), não oferecem proteção contra o novo coronavírus. Elas não são recomendadas para toda a população, mas aplicadas em crianças com menos de 5 anos, idosos, população indígena, pessoas acamadas e pessoas que vivem com o HIV, têm câncer ou fizeram transplante de órgãos, que podem ser imunizadas nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Por que as pessoas devem manter a carteira de vacinação em dia?

O novo coronavírus traz para os países um cenário de alto número de pessoas doentes, internações, falta de leitos e óbitos. As outras doenças que podem ser prevenidas com vacinas continuam em circulação e ter a população infectada por elas vai sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde.

 

Quais vacinas devem ser tomadas pela população?

A maioria das vacinas recomendadas está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Só para as crianças até 10 anos, são 15 imunizantes, entre eles: BCG (que protege contra a tuberculose), poliomielite, pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B) e tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola). Há calendários ainda para adultos com doenças crônicas, gestantes e idosos.

 

Meu filho tem vacinas de rotina para tomar. Devo levá-lo ao posto de vacinação?

Até o dia 15 de abril, quando estará ocorrendo a imunização de idosos e profissionais da saúde contra a gripe, a recomendação do Ministério da Saúde é que os pais esperem o fim da campanha para levar as crianças, pois elas e os jovens podem estar com sintomas leves da doença e infectar os idosos, que formam o grupo de risco. Nas regiões com disseminação do sarampo e da febre amarela, as vacinas devem ser aplicadas seguindo critérios para evitar aglomerações.

 

Posso tomar vacina se estiver resfriado?

A principal estratégia adotada para evitar a propagação do novo coronavírus é o isolamento social. Logo, quem estiver resfriado ou com sintomas como tosse, febre e diarreia, deve adiar a vacinação por 14 dias para evitar passar a doença para as demais pessoas e os profissionais de saúde.

 

Como evitar aglomerações ao me vacinar?

Nas filas, as pessoas devem manter uma distância de mais de 1 metro das outras. Algumas cidades, como São Paulo, implementaram o sistema “drive-thru”, com pessoas sendo vacinadas dentro dos carros.

 

As vacinas são realmente eficazes?

A maioria das vacinas tem eficácia de mais 95%. As vacinas contra o HPV e o tétano têm 100% de eficácia. Fatores como idade podem interferir na eficácia das vacinas. No caso da vacina da gripe, a eficácia é perto de 90% para as crianças, de 70% para adultos e chega a 40% entre idosos. No entanto, é fundamental que as pessoas que fazem parte do grupo de risco para esta doença sejam imunizadas, como crianças, idosos e gestantes, pois a vacinação protege contra a gripe e evita que os pacientes evoluam para formas graves que podem levar a internações ou à morte.

 

O que é falha vacinal?

Para a maioria dos imunizantes, 3 a 5% da população não responde. É a falha vacinal primária e por isso há o reforço de algumas vacinas.

 

Quais são as etapas para elaboração de uma vacina? Por que demora tanto? 

Os critérios para criação de uma vacina são muito rigorosos. Até chegar ao uso em humanos, são realizados testes in vitro, com cobaias, grupos pequenos de pessoas e em larga escala com pessoas. Também é feita uma análise pós-vacinação. Segurança, toxicidade e eficácia são pontos observados. Os estudos são longos e podem durar meses e até décadas.

 

Pesquisadores de vários países, como a Holanda, avaliam o uso da vacina contra a tuberculose para aumentar a resposta imunológica e proteger as pessoas contra o novo coronavírus. O que já se saber sobre isso?

Até o momento, há publicações, mas ainda não existem evidências científicas de que isso será eficaz. A opção ainda precisa ser testada e estudada.

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