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Permanência prolongada no espaço afeta células musculares, diz estudo

Músculos de astronautas que retornam à Terra parecem os de pessoas duas vezes mais velhas

Associated Press

20 de agosto de 2010 | 19h19

Astronautas podem ficar tão fracos quanto um idoso de 80 anos depois de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), de acordo com novo estudo que levanta sérias questões de saúde no momento em que a Nasa contempla possíveis viagens a Marte ou a asteroides.

 

O biólogo da Universidade Marquette Robert Fitts, que liderou a pesquisa, destaca que esse "envelhecimento acelerado" é temporário: os músculos do astronauta se recupera depois de poucos meses na Terra.

 

Mas e se a tripulação precisar fazer um pouso de emergência na Terra e fugir de uma nave em chamas? E se, na chegada a Marte, for preciso uma atividade intensa de reparos? Homens e mulheres em Marte teriam força para executar tarefas de rotina?

 

"Eu ficaria preocupado", disse Fitts.

 

Astronautas podem evitar o enfraquecimento com mais pesquisa sobre os melhores equipamentos para exercício em condições de ausência de peso. "Realmente acho que isso é tudo evitável", declarou o cientista.

 

Fitts baseia suas afirmações em biópsias que sua equipe coletou do músculo da batata da perna de nove astronautas russos e americanos que moraram na Estação Espacial Internacional (ISS) entre 2002 e 2005. Este é o primeiro estudo sobre a musculatura de astronautas em missões prolongadas que desce ao nível celular.

 

Cada astronauta ficou seis meses a bordo do posto orbital, e foi submetido à biópsia antes de partir da Terra e imediatamente após o retorno.

 

Os pesquisadores descobriram que os astronautas haviam perdido mais de 40% da potência nas fibras de contração lenta dos músculos da batata da perna. Esses músculos são cruciais para o equilíbrio e a postura, e parecem sofrer mais no espaço que outras partes do corpo.

 

Fitts disse que o declínio muscular nos astronautas, que tinham cerca de 40 anos, correspondia ao de uma pessoa com o dobro da idade.

 

E não importa o quanto um astronauta é musculoso ao partir da Terra. Segundo Fitts, os astronautas com maior capacidade de levantar peso foram os que sofreram a maior atrofia muscular em órbita.

 

A deterioração ocorreu mesmo com os astronautas dedicando de uma a duas horas diárias a exercícios.

 

A Nasa reconhece há tempos a necessidade de rotinas de exercício na ausência de peso, e a ISS é equipada com esteiras, bicicletas ergométricas e máquinas que geram resistência para exercícios equivalentes a agachamentos.

 

A agência espacial espera que uma nova máquina de exercícios enviada ao espaço no ano passado represente um avanço em relação à antiga. da forma como as coisas estão hoje, astronautas que retornam de missões de seis meses precisam passar por terapia de reabilitação física e, por causa de problemas de equilíbrio, são impedidos de dirigir por até um mês. Uma missão a Marte teria duração mínima de três anos.

 

Além de melhores exercícios, os astronautas também precisam comer mais, disse Fitts.

Estudos realizados na Terra com voluntários confinados à cama para simular a ausência de peso mostram que essas pessoas precisam consumir a quantidade normal diária de calorias para tirar benefício de exercícios. E precisam comer logo após as sessões de ginástica, afirmou o pesquisador.

 

"Todos os tripulantes que estudamos... não comeram o bastante", declarou Fitts.

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