CARLOS EZEQUIEL VANNONI
CARLOS EZEQUIEL VANNONI

Pernambuco investiga morte de três bebês com microcefalia

Segundo secretaria, é a primeira vez que o Estado apresenta suspeita de óbito em função da má-formação congênita

Monica Bernardes, Especial para o Estado

17 Dezembro 2015 | 15h45

Atualizada às 16h24

RECIFE - Em meio à epidemia de microcefalia que atinge o Estado, Pernambuco registrou, nos últimos seis dias, a morte de três bebês diagnosticados com microcefalia. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, é a primeira vez que PE apresenta suspeita de óbito por essa má-formação congênita. 

Os partos aconteceram na capital pernambucana e na cidade de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife. Ainda segundo a SES, dois bebês já nasceram mortos - o primeiro na última sexta-feira, 11, e o segundo na quarta-feira, 16. Eles estavam, respectivamente, com 38 e 40 semanas de gestação, respectivamente. O terceiro foi a óbito horas após o nascimento, também na sexta.

 

Em nota oficial divulgada na manhã de quarta, a secretaria confirmou as mortes, mas ressaltou que, apesar dos bebês apresentarem microcefalia, a má-formação ainda não pode ser apontada como a causa básica dos óbitos.

Apesar de o Ministério da Saúde ter afirmado que os casos confirmados no País são de microcefalia relacionada ao zika vírus, a secretária executiva de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Luciana Albuquerque, informou que não há, no Estado, validação por exame sobre essa relação. "Acreditamos que na próxima divulgação dos dados tenhamos essa informação", afirmou. 

Pernambuco tem, segundo o último boletim oficial da SES, 85 casos de microcefalia confirmados. Na última terça-feira, a secretaria divulgou o aumento de casos investigados, que passaram de 804 para 920. A Organização Mundial de Saúde define como microcéfalos os bebês nascidos com perímetro cefálico igual ou menor do que 32 cm. 

O clima entre as gestantes atendidas nas unidades de saúde de referência para o diagnóstico e tratamento da microcefalia em Pernambuco - o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e o Instituto Materno Infantil Francisco Figueira (IMPI) - é de apreensão. "Estamos com medo. Por mais que os médicos tentem nos acalmar é muito difícil saber que nossos filhos enfrentam riscos tão grandes. Eu mesma estou sem dormir direito há quase uma semana, desde que o ultrassom mostrou que meu filho, que está com 33 semanas, poderia ter microcefalia. É uma espera angustiante", desabafou a estudante Silvia Francisca Lajes, de 24 anos. 

Mutirão. Especialistas em retina e oftalmopediatria realizam, nesta sexta-feira, 18, o segundo mutirão de atendimento para descobrir se o zika vírus traz alguma sequela à visão das crianças diagnosticadas com microcefalia em Pernambuco. A partir das 7h, as consultas serão realizadas no Hospital de Olhos de Pernambuco (Hope).  

O objetivo é orientar as famílias das crianças para o tratamento da microcefalia no campo visual. Os pacientes também serão submetidos a exames complementares (retcam, ultrassom e OCT).

Nacional. O Ministério da Saúde também divulgou dados atualizados sobre os registros de microcefalia relacionados ao zika vírus no País. Pela primeira vez apareceram na lista Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Rio Grande do Sul. Segundo o relatório, são 2.401 casos da doença e 29 óbitos em 549 municípios de 19 Estados e Distrito Federal. Do total de suspeitas, foram confirmadas 134 e descartadas 102. Continuam em investigação 2.165. Uma morte foi confirmada. 

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