Pesquisa da FGV prevê universalização do esgoto só em 2122

A estimativa está na pesquisa 'Impactos Sociais de Investimentos em Saneamento', disponível online

Roberto Lira e Felipe Werneck, da Agência Estado,

27 de novembro de 2007 | 17h22

No ritmo atual, a universalização do acesso a esgoto tratado no Brasil só deve acontecer por volta do aniversário de 300 anos da independência do País, daqui a 115 anos, em 2122. A estimativa está na pesquisa Impactos Sociais de Investimentos em Saneamento, feita pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Instituto Trata Brasil, ONG recém-criada e que é mantida por empresas como Tigre S. A., que atua no mercado de tubos, conexões e acessórios sanitários, além de entidades como Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), FGV, Instituto Coca-Cola e Pastoral da Criança..   Veja também: Brasil entra para o clube do alto desenvolvimento humano Em artigo, Lula defende 'ação nacional para desafio global' IDH mostra que estamos no caminho certo, diz ministro Para especialista, ranking da ONU adota 'rótulos artificiais' A evolução dos países   Cruzando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), ambas do IBGE, com dados de outros estudos do próprio instituto e dos Ministérios das Cidades e da Saúde, o levantamento, divulgado nesta segunda-feira, 27, aponta que a falta de saneamento básico atinge 47% da população brasileira, sendo as crianças entre 1 e 6 anos as principais vítimas.    O economista Marcelo Néri, coordenador do estudo, disse que o investimento de R$ 40 bilhões até 2010 previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal é um bom primeiro passo, mas insuficiente. "Há um longo caminho entre o acesso ao recurso e o gasto. Não é fácil, por exemplo, um prefeito gastar bem os recursos. Esse é um problema geral, mas na área de saneamento é mais grave porque é algo subterrâneo, que as pessoas não têm consciência da importância. E afeta principalmente quem não vota, as crianças. Ou seja, é uma causa frágil e que precisa de participação da sociedade", disse.   De acordo com os dados da Pnad, o acesso ao esgoto no Brasil subiu de 36,02% da população total, em 1992, para 46,77% em 2006.   A pesquisa da FGV montou um ranking de acesso à rede geral de esgoto por unidade da federação, também a partir de dados da Pnad. São Paulo lidera, com 84,24% da população com acesso em 2006 (75,93% em 1992), seguido pelo Distrito Federal, com 79,85% (73,26%) e Minas Gerais, com 73,43% (55,44%). Considerando apenas as regiões metropolitanas, Belo Horizonte lidera, mostrando 83,58% da população coma acesso a esgoto em 2006, ante 68,91% em 1992.   Ainda segundo o estudo, dos 50 municípios brasileiros com maior taxa de acesso a esgoto tratado, 44 são paulistas, além de o Estado possuir os dez primeiros colocados no ranking (São Caetano do Sul, Barrinha, Igaraçu do Tietê, Santa Gertrudes, Serrana, São Joaquim da Barra, Franca, Orlândia, Barra Bonita e Américo Brasiliense).   Apesar disso, até mesmo municípios paulistas é possível encontrar taxas nulas (até a segunda casa decimal) de acesso ao esgoto, casos de Canitar, Independência e Sandovalina. O estudo pode ser consultado via internet: http://www3.fgv.br/ibrecps/CPS_infra/index_teste.htm

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