Pesquisa mostra dados 'alarmantes' sobre fumo em países mais pobres

Dois quintos dos homens nos países em desenvolvimento ainda fumam ou usam tabaco, e as mulheres começam a fumar cada vez mais jovens, segundo um estudo internacional que descobriu "padrões alarmantes" do uso do tabaco.

KATE KELLAND, Reuters

17 Agosto 2012 | 17h13

Apesar de anos de medidas contra o tabagismo em todo o mundo, a maioria dos países em desenvolvimento tem baixas taxas de abandono, de acordo com o estudo na revista médica The Lancet publicado nesta sexta-feira.

"Embora 1,1 bilhão de pessoas tenham sido cobertas pela adoção das políticas de controle de tabaco mais eficazes desde 2008, 83 por cento da população mundial não é alcançada por duas ou mais dessas políticas", disse Gary Giovino, da Escola de Saúde Pública e Profissões de Saúde da Universidade de Buffalo, em Nova York, que liderou a pesquisa.

As medidas incluem legislação que proíbe fumar em lugares públicos, proibições de publicidade e exigência de mais advertências gráficas nos maços de cigarros.

Com base em dados de Pesquisas Globais de Tabaco entre Adultos, realizadas entre 2008 e 2010, a equipe de Giovino comparou os padrões de uso e abandono do tabaco em pessoas com 15 anos ou mais, de 14 países de baixa e média renda. Eles incluíram dados da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos para comparação.

Eles encontraram taxas desproporcionalmente altas de fumantes entre os homens -média de 41 por cento contra 5 por cento das mulheres- e enorme variação na predominância, de cerca de 22 por cento de homens no Brasil a mais de 60 na Rússia.

As taxas de mulheres fumantes variaram de 0,5 por cento no Egito a quase 25 por cento na Polônia.

As descobertas foram divulgadas no momento em que as principais empresas de tabaco do mundo, British American Tobacco, Imperial Tobacco, Philip Morris e Japan Tobacco, perderam um apelação crucial na Austrália esta semana contra a introdução de embalagens de tabaco sem logo, em linha com recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

RISCOS

Segundo a OMS, o tabaco mata até metade de seus usuários. Fumar causa câncer de pulmão, muitas vezes fatal, e outras doenças respiratórias crônicas.

É também um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, o assassino número um do mundo. Outras formas de uso do tabaco incluem cheirar ou mascar.

Matthew L. Myers, presidente da Campanha para Crianças Livres do Tabaco dos EUA, disse que o estudo "ressalta a enormidade da epidemia global do tabaco".

"Sem uma ação urgente, o uso de tabaco vai tirar 1 bilhão de vidas neste século", afirmou ele, exortando os países mais pobres a "agir agora e resolver uma crise que eles pouco podem arcar."

Com uma estimativa de 301 milhões de usuários de tabaco, a China tem mais usuários do que qualquer outro país, seguido de perto pela Índia, com quase 275 milhões.

Outros países incluídos no estudo foram Bangladesh, México, Filipinas, Tailândia, Turquia, Ucrânia, Uruguai e Vietnã. Os pesquisadores disseram que o aumento do uso do tabaco entre mulheres jovens é preocupante.

A OMS afirma que o tabaco já mata cerca de 6 milhões de pessoas por ano no mundo, incluindo mais de 600.000 não-fumantes que morrem de exposição à fumaça.

Em 2030, se a tendência atual for mantida, a OMS prevê que o tabaco poderá matar 8 milhões de pessoas por ano.

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