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33% das crianças consomem mais gordura do que o recomendado

Estudo da Nestlé/Ibope constatou que metade dos consultados na Grande São Paulo estão acima do peso; especialistas pedem melhoria na dieta e atividade física regular

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2016 | 20h42

SÃO PAULO - Estudo feito com mil crianças da Grande São Paulo e divulgado nesta quinta-feira, 6, mostrou que a maioria dos meninos e meninas tem práticas alimentares não indicadas para a idade, fazendo com que ao menos metades deles esteja acima do peso. Pesquisa do Ibope feita a pedido da Nestlé constatou ainda outros hábitos perigosos para as crianças, como sedentarismo; especialistas pedem melhora na alimentação e atividade física regular.

Os dados integram a pesquisa denominada The Infant and Kids Study (IKS), que focou em crianças entre 0 e 12 anos, na região metropolitana. Entre as constatações mais importantes estão que 33,5% dos consultados entre 4 e 12 anos consomem mais gordura do que a recomendação diária nas refeições e 75% das crianças entre 7 e 12 anos passam quatro horas ou mais por dia em frente à televisão ou computador, ou seja, o dobro da permanência recomendada - o que também afeta a hora das refeições.

“O consumo excessivo de gordura, sódio ou açúcar na dieta diária de crianças e adolescentes pode inferir num aumento de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como o diabetes tipo 2, hipertensão arterial e aumento dos níveis de colesterol ruim (LDL), por exemplo”, disse o pediatra e endocrinologista Raphael Liberatore, em nota.  “Para que tenhamos uma mudança no comportamento dessas crianças, no entanto, além da prática de atividade física regular e uma alimentação equilibrada, é preciso envolver outros aspectos mais amplos, que passem pelas frentes econômicas, sociais e políticas”, acrescentou.

O fato de metade das crianças estar acima do peso confirma a tendência apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que em dados oficiais indicou que a obesidade e o sobrepeso infantil devem atingir cerca de 75 milhões de crianças no mundo até 2025. 

Exercício. Dados da pesquisa apontaram a falta de atividade física no cotidiano: mais da metade das crianças entre 1 e 12 anos está sedentária, ou seja, praticam menos de 300 minutos (5 horas) de atividade física por semana. Na faixa etária entre 10 e 12 anos, o problema atinge 45% das crianças. 

O estudo da Nestlé mostrou também que 75% das crianças entre 7 e 12 anos passam quatro horas ou mais por dia em frente à televisão ou computador, o dobro da permanência recomendada. Quando a amostra é ampliada para o universo de 0 a 12 anos, o resultado é de 54%, e a partir dos 2 anos de idade, de acordo com o estudo - o tempo gasto aumenta significativamente. A hora das refeições também é impactada por este comportamento: cerca de 30% das crianças de 1 a 4 anos comem assistindo televisão, lendo, estudando ou jogando videogame no mínimo 4 vezes por semana. Este número dobra a partir dos 4 anos, chegando a 65% nas crianças de 9 a 12 anos.

“O comportamento infantil é um reflexo do que as crianças observam em casa com os pais, que dedicam cada vez mais tempo à televisão, celular e computador. Não podemos responsabilizar apenas a tecnologia, mas devemos ter atenção, uma vez que ela pode influenciar no desenvolvimento físico, social e comportamental de crianças e adolescentes”, afirma a psicóloga e pedagoga Elizabeth Monteiro, em nota da empresa.

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