Gretchen Ertl/The New York Times
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Pesquisa mostra que 62% dos brasileiros nunca fizeram exame para detectar hepatite C

Levantamento feito em 120 municípios revelou ainda que população desconhece forma de transmissão da doença

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2015 | 21h53

SÃO PAULO - O exame para detecção da hepatite C, doença silenciosa que pode causar cirrose hepática e câncer de fígado, ainda não faz parte da maior parte dos brasileiros, segundo pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira, 28, pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). De acordo com o levantamento, 62% dos entrevistados nunca realizaram o exame para a detecção da doença.

Foram ouvidas 2.125 pessoas em 120 municípios do País no mês passado. "A pesquisa reflete o que a gente já imaginava, especialmente sobre as informações que a sociedade tem em relação à doença. O desconhecimento sobre a hepatite C e a forma de transmissão é maior nas camadas com menor nível de escolaridade. A questão é que se a pessoa não sabe como pega, não se previne", afirma Erico Arruda, presidente da SBI.

Segundo a pesquisa, 1.253 pessoas acertaram a questão sobre como se dá transmissão da doença, que é por contato com sangue contaminado, mas 18% disseram não saber. "Entre os entrevistados, 36% disseram que a transmissão é por ato sexual, que é rara no caso de hepatite C e está relacionada com a hepatite B. Isso causa a exclusão social e familiar com os portadores", diz Edison Parise, presidente da SBI.

Outro ponto de desinformação constatado pela pesquisa foi em relação ao especialista que deve ser procurado para detectar o problema: 49% disseram que buscariam um clínico-geral, embora o tratamento costume ser feito por hepatologistas e infectologistas, que apareceram com 42% e 35% das respostas, respectivamente.

Por esse motivo, as entidades médicas estão fazendo uma campanha para que as mais diversas especialidades passem a pedir o exame para detectar o problema. "A Associação Médica Brasileira promove esse tipo de integração dos problemas médicos do Brasil. Vamos fazer diagnósticos tardios se só infectologistas e hepatologistas fizerem (o pedido)", explica Arruda.

A doença mata 9 mil pessoas por ano no País e infecta, em média, 2 milhões. A projeção do impacto da hepatite C em casos de câncer de fígado é alarmante: em 2030, a expectativa é de que 18.900 pessoas terão a doença. Em 2013, foram 9.710. 

Quarentões. O foco da campanha deste ano são as pessoas com mais de 40 anos, que podem ter se infectado antes da criação de regras mais rígidas para a higienização de equipamentos de manicure e do uso em larga escala de seringas descartáveis. "Entre 70 e 80% dos casos ocorrem em indivíduos com 40 anos ou mais. Hoje em dia, as novas contaminações se dão por uso de drogas ou em manicures", diz Parise.

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