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Pesquisa mostra que maternidade pode afetar os efeitos da cocaína

Teste em ratos sugere que cérebro de mães libera menos dopamina, que ajuda a causar 'barato' da droga

Efe,

16 Outubro 2012 | 17h44

 Os ratos mães respondem à cocaína de maneira muito diferente que os ratos que jamais tiveram filhotes, segundo mostrou uma nova pesquisa apresentada na reunião da Sociedade de Neurociência em Nova Orleans.

As conclusões podem abalar os alicerces para tratamentos da dependência humana mais adequados a cada indivíduo, sobre a base de uma compreensão científica da maneira como o gênero, os hormônios e a experiência de vida afetam o uso da droga.

Em uma apresentação oral, a pesquisadora da Universidade de Michigan, Jennifer Cummings, resumiu as conclusões de experimentos com ratos realizados no Instituto de Neurociência Molecular e da Conduta, que é parte da Escola de Medicina da Universidade de Michigan.

Cummings trabalhou com Jill Becker, do Departamento de Psicologia. As pesquisadoras identificaram diferenças claras na intensidade da reação à droga dos "centros do prazer" nos ratos-mães comparada com os ratos que não tinham parido.

Os cérebros dos ratos mães liberaram menos quantidades de um elemento químico chamado dopamina que ajuda a causar o "barato" da cocaína.

Além disso, encontraram uma interação com o estresse: os ratos-mães expostos a períodos de crescente estresse não estavam dispostos a trabalhar por uma dose de cocaína tanto como os ratos que jamais tinham parido.

Tomadas em conjunto as conclusões sugerem que a experiência de ser mãe altera a resposta geral da fêmea à cocaína, o que acrescenta complexidade à questão de qual é o melhor tratamento para a dependência.

"Estas diferenças sugerem que o sistema de recompensa e os circuitos cerebrais afetados pela cocaína são modificados pela experiência maternal", disse Cummings.

"O passo seguinte é determinar a forma como fatores tais como as mudanças hormonais na gravidez e a maternidade adiantada, e como a experiência de cuidar de crianças, podem contribuir de maneira diferente a esta resposta", acrescentou.

As cientistas reconhecem que os ratos e os humanos são muito diferentes, mas a pesquisa com os roedores permite que pesquisadores como Cummings e Becker estudem a química cerebral e o comportamento relacionado com a droga em detalhe, e abre o caminho para traduzir essas conclusões a tratamentos humanos.

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