Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Pesquisa mostra queda na proporção de fumantes no País

Número caiu de 16,2% para 15,5% entre 2006 e 2009, revela levantamento do Ministério da Saúde

Agência Brasil

21 Junho 2010 | 18h29

BRASÍLIA - A proporção de fumantes no país caiu de 16,2% para 15,5% entre 2006 e 2009, revela a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proporção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

 

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira, 21, foi realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisa e Nutrição em Saúde da Universidade de São Paulo. Foram entrevistados 54 mil adultos.

 

De acordo com o levantamento, 19% dos homens e 12,5% das mulheres fumam. A maior queda no uso do cigarro no País ocorreu entre as pessoas na faixa etária de 35 a 44 anos. Em 2006, 19% da população nessa idade era dependente do tabaco. Em 2009, a proporção de fumantes baixou para 15,1%.

 

Segundo dados divulgados pela pesquisa, o índice é bem menor que o registrado na Argentina e nos Estados Unidos, de 35% e de 40% da população, respectivamente.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, o tabagismo está em queda há mais de duas décadas no Brasil. Em 1989, 33% da população fumava, diz a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

"O Brasil é um dos países com maior êxito na campanha de combate ao tabagismo. Foi uma queda muito expressiva no número de fumantes em um tempo muito curto", afirma a coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não-Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta.

 

Para o ministério, ações como a proibição de publicidade do tabaco, o aumento de impostos sobre o produto e a inclusão de advertências mais explícitas, nos maços de cigarros, sobre os efeitos danosos do fumo contribuíram para essa redução.

 

Deborah lembra que o Ministério da Saúde defende o projeto de lei que proíbe fumar em ambientes coletivos e também acaba com os fumódromos. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em março, e está agora na Comissão de Assuntos Sociais da Casa em caráter terminativo.

 

"Precisamos de ambientes livres do tabaco para preservar o bem-estar das pessoas. O ministério apoia esse projeto e todas as iniciativas estaduais de restringir o fumo em recintos públicos", afirma Deborah.

 

Fumantes passivos

 

A Vigitel também avaliou, pela primeira vez neste ano, a situação do fumante passivo no Brasil. A pesquisa mostra que 13,3% dos brasileiros moram com pelo menos um pessoa que costuma fumar dentro de casa. Além disso, 12,8% das pessoas que não fumam convivem com pelo menos um colega que fuma no local de trabalho.

 

A convivência com fumantes passivos em casa é mais comum na faixa etária dos 18 aos 24 anos (19%). Já no ambiente de trabalho, a situação é verificada principalmente na faixa dos 25 aos 34 anos (15,8%) e dos 35 aos 44 anos (15,7%).

 

O Instituto Nacional do Câncer informa que pelo menos 2,6 mil não fumantes morrem no Brasil por ano em decorrência de doenças provocadas pelo tabagismo passivo. Pessoas que não fumam, mas enfrentam essas condições, têm 30% de chances a mais de desenvolver câncer de pulmão e 24% a mais de sofrer infarto e doenças cardiovasculares.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.