Pesquisa no RS usa célula-tronco para tirar cicatriz de cirurgia

A dificuldade de muitos pacientes em lidar psicologicamente com o transplante de coração motivou um pesquisador do Rio Grande do Sul a estudar uma forma de acabar com a grande cicatriz que fica no peito após a cirurgia. Jefferson Braga Silva, da Faculdade de Medicina da PUC-RS, faz experimentos com células-tronco adultas para retirar as marcas, conhecidas como quelóides. A cicatriz no peito, um corte de cima para baixo, costuma ter cerca de 15 centímetros. "É algo que marca, chega a ser quase um estigma", explica Silva. "Quem olha sabe que a pessoa teve um grave problema de saúde. Isso invariavelmente desperta algum sentimento, como pena, raiva e até nojo. Além disso, o próprio paciente se olha o tempo todo." Embora seja muito comum, essa cicatrização exagerada não ocorre em todas as pessoas. Nem em todo tipo de cirurgia - ela se forma no corte do transplante de coração, mas não na cirurgia de redução de mama, por exemplo. No estudo, os pesquisadores retiraram cirurgicamente o quelóide e, no local, injetaram células-tronco da medula óssea dos próprios pacientes. Em três pessoas, segundo Silva, "a evolução foi satisfatória". As células-tronco regularam a recomposição da pele na medida certa, sem o exagero do quelóide. O estudo ainda está em andamento. Novela Uma das dificuldades psicológicas de lidar com o transplante de coração foi abordada em 1992 na novela "De Corpo e Alma", da Rede Globo. Na história, Betina (Bruna Lombardi) morre num acidente de carro e seu coração é transplantado em Paloma (Cristiana Oliveira). Diogo (Tarcísio Meira), que tinha um relacionamento com Betina, aproxima-se de Paloma, acreditando estar de novo com a mulher que morreu, e eles se envolvem numa tumultuada relação amorosa. Na época, médicos escreveram à emissora criticando a novela. Segundo eles, a trama ajudava a reforçar as falsas crenças que as pessoas têm em relação ao transplante cardíaco. Um paciente só é liberado para cirurgia após passar por um minucioso exame psicológico. "Algumas pessoas põem o transplante a perder porque não têm estrutura emocional", diz Francisco Diniz Affonso da Costa, chefe do Setor de Cirurgia Cardíaca da Santa Casa de Curitiba. "Esses pacientes têm de ser retirados da fila do transplante", acrescenta Ivo Nesralla, presidente do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul.

Agencia Estado,

27 de novembro de 2006 | 09h50

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