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Pesquisa sobre 'mosaico de átomos' ganha Nobel de Química de 2011

O israelense Daniel Shechtman receberá o prêmio de prêmio de R$ 2,7 milhões

estadão.com.br com agências internacionais

05 de outubro de 2011 | 06h46

ESTOCOLMO - A descoberta dos quase-cristais por Daniel Shechtman, de Israel, ganhou o Nobel de Química de 2011 nesta quarta-feira, 5. O prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,5 milhão ou R$ 2,7 milhões) é a recompensa pela descoberta do dia 8 de abril de 1982 que alterou a forma como os químicos entendem a matéria sólida e abriu portas para pesquisas que vão desde o diesel até materiais para panelas. Segundo o anúncio da academia, esta é uma das primeiras vezes que se pode definir a data exata da descoberta e delimitá-la a apenas um dia.

 

Segundo a Real Academia de Ciências da Suécia, a descoberta de Schechtman foi muito controversa e, na batalha para defender sua pesquisa, ele acabou saindo de seu grupo na Universidade. O que Schechtman viu em seu telescópio eletrônico contrariava as "leis da natureza" nas quais os químicos acreditavam até então. Para eles, em toda a matéria sólida os átomos estavam "embalados" dentro de cristais em padrões simétricos que se repetiam periodicamente. Essa repetição seria necessária para a formação de um cristal. Mas o que o pesquisador viu foi muito diferente. Ele viu padrões, mas eles não se repetiam.

 

"Mosaicos aperiódicos, como os mosaicos medievais islâmicos do palácio de Alhambra na Espanha e do santuário Darb-i Imam no Irã, ajudaram os pesquisadores a entender como os quase-cristais se parecem no nível atômico", disse a academia durante o anuncio. "Nesses mosaicos, como nos quase-cristais, os padrões são regulares - eles seguem regras matemáticas - mas eles nunca se repetem."

 

 

Schechtman comprovou, enfrentando o paradigma científico imperante, que as estruturas que formam os quase-cristais não são periódicas, ou seja, os materiais não podem ser construídos pela repetição e justaposição de unidades menores, como um mosaico árabe. O químico israelense foi reconhecido por seu trabalho notável, solitário, tenaz e baseado em "sólidos dados empíricos", constou na argumentação da Academia.

 

Em 1992, a União Internacional de Cristalografia alterou, com base no trabalho do israelense, sua definição sobre o que é um cristal.

 

Os quase-cristais, também chamados sólidos quasiperiódicos, são maus condutores de eletricidade e extremamente duros e resistentes a deformação, por isso podem ser usados para recobrimentos protetores antiaderentes. Quando os cientistas descrevem os quase-cristais de Shechtman eles usam um conceito da matemática e da arte: a proporção áurea. Presente em pesquisas desde a Grécia Antiga, esse número aparece nos quase-cristais, por exemplo na relação da distância entre os átomos. 

 

Nas últimas três décadas, centenas de semicristais foram sintetizados em laboratórios, e, há dois anos, cientistas relataram a inédita descoberta de um semicristal natural, numa amostra russa contendo alumínio, cobre e ferro.

 

 

Perfil

 

Shechtman, de nacionalidade israelense, nasceu em 1941 em Tel Aviv (atualmente Israel) e é professor do departamento de Engenharia de Materiais do Instituto Tecnológico de Haifa e de Ciências dos Materiais da Universidade Estatal de Iowa (Estados Unidos).

 

Após o doutorado em 1972, trabalhou nos Laboratórios de Pesquisa Wright-Patterson Air Force Base, em Ohio (EUA) e três anos mais tarde entrou para o departamento de Engenharia de Materiais do Instituto Tecnológico de Israel.

 

Shechtman foi reconhecido nos últimos anos com o prêmio da Sociedade Europeia de Investigação de Materiais (2008), o Gregori Aminoff da Real Academia das Ciências da Suécia (2000), o Wolf de Física (1999), o Rothschild de Engenharia (1990) e o prêmio internacional por Novos Materiais da Sociedade Física Americana (1988). O ganhador pertence desde 2004 à Academia Europeia das Ciências e desde 2000 à Academia Nacional de Engenharia dos Estados Unidos.

 

Outros prêmios.  Três cientistas norte-americanos que, estudando supernovas distantes, descobriram que a taxa de expansão do Universo se acelera - e não diminui, como o esperado - ganharam o Prêmio Nobel de Física de 2011 na terça-feira, 4. Os anúncios do Nobel começaram na segunda-feira, 3, com o Nobel de Medicina continuam esta semana Química na quarta-feira, 5, o de Literatura, na quinta-feira, 6, e o da Paz, na sexta-feira, 7. Na próxima semana, dia 17 de outubro, também será conhecido também o Nobel de Economia.

 

A entrega dos prêmios Nobel será feita, como manda a tradição, em duas cerimônias paralelas, em Oslo para o da Paz e em Estocolmo para os restantes, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel.

 

O Nobel de Medicina de 2011 foi para três cientistas que desvendaram os segredos do sistema imunológico do corpo humano. O cientista americano Bruce A. Beutler, o francês Jules A. Hoffmann e o canadense Ralph M. Steinman tiveram seus méritos reconhecidos por "revolucionar nosso conhecimento do sistema imunológico ao descobrir princípios cruciais para a sua ativação. "A descoberta dos três cientistas serviu para combater doenças contagiosas, desenvolver vacinas e no avanço da luta contra o câncer.

 

O comitê, que não sabia da morte de Steinman devido a um câncer pancreático quando o escolheu para receber o prêmio, teve que revisar suas normas antes de decidir conceder-lhe um prêmio póstumo, já já que as regras do Nobel não permitem prêmios póstumos, a não ser que o laureado morra no período transcorrido entre o anúncio do prêmio e a premiação. "Ele foi diagnosticado com câncer pancreático há quatro anos e sua vida foi prolongada por meio de uma imunoterapia com base em células dendríticas que ele mesmo criou", disse a universidade no comunicado publicado em seu website.

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