Pesquisa verifica se gene influi na má-formação

Centro de Pesquisa do Genoma Humano da USP vai estudar crianças afetadas por microcefalia ligada ao vírus zika

O Estado de S.Paulo

20 Março 2016 | 03h02

Enquanto vários grupos sequenciam o genoma do vírus para compreender diversos aspectos do zika, a geneticista Mayana Zatz, diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano, da USP, tem uma proposta para estudar os genomas das crianças atingidas pela microcefalia ligada ao vírus.

“Queremos sequenciar os genomas de cem bebês que nasceram com microcefalia e de cem bebês saudáveis que nasceram na mesma época e região. O objetivo é entender se essas crianças têm características genéticas que as tornam mais suscetíveis a essas más-formações”, disse Mayana ao Estado.

Segundo ela, a ideia surgiu depois do registro de pelo menos cinco casos de mães infectadas pelo vírus que tiveram filhos gêmeos, mas apenas um deles desenvolveu microcefalia.

“Isso sugere que possa existir um componente genético que deu proteção a um dos gêmeos, ou aumentou a suscetibilidade do irmão que foi acometido”, disse Mayana.

De acordo com a cientista, a prevalência muito maior da microcefalia no Nordeste pode indicar que, por algum motivo, a população local é mais vulnerável. Outra possibilidade é que, após alguma mutação, uma nova cepa do vírus seja mais virulenta. A análise comparativa dos genomas das crianças pode ajudar a eliminar as dúvidas, segundo Mayana.

“Já se conhece pelo menos 14 genes que são relacionados à microcefalia e que não têm nada a ver com a zika. Por isso, temos de nos perguntar: será que o zika interfere nesses genes? Ou será que nossa população tem uma presença maior de mutações em algum desses genes? O sequenciamento dos genomas da população pode ajudar a montar esse quebra-cabeças”, disse Mayana.

De acordo com a pesquisadora, caso seja aprovado, o projeto terá financiamento da Fapesp e do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido. “Já estamos coletando amostras e, ainda em março, vamos coletar amostras em Pernambuco. Depois vamos fazer o mesmo na Paraíba, no Rio Grande do Norte e na Bahia. Não é um projeto barato, porque o sequenciamento de genomas é muito caro. Mas acredito que ele poderá nos trazer respostas muito importantes.”

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