Pesquisador diz ter meio para diagnosticar vírus em 5 minutos

Método Elinor, criado na UFPE, aguarda testes para ser validfado pela Anvisa para aplicação em todo o Brasil

Angela Lacerda, da Agência Estado,

18 Agosto 2009 | 17h28

Um método de diagnóstico rápido, capaz de detectar, em cinco minutos, o vírus da gripe suína, foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob a coordenação do professor Celso Melo. Intitulado Elinor, o método, criado há cerca de dois anos, pode detectar não apenas o vírus da nova gripe, mas também doenças causadas por outros vírus ou bactérias, a exemplo da dengue e do HPV (papiloma vírus humano). O princípio da técnica é o mesmo. O teste é adaptado para cada doença a ser diagnosticada, através da utilização do vírus ou bactéria específica da doença. 

 

Há um ano e meio, Melo apresentou o método ao Ministério da Saúde. Pediu o acompanhamento da pesquisa e também apoio para sua validação clínica pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - quando a eficácia do procedimento pode ser comprovada, a partir da comparação com os testes tradicionais. Ele disse ter recebido a promessa de análise do método e um posterior parecer, "mas até hoje o processo não evoluiu". 

 

 

De baixo custo - menos de R$ 1 o kit - o método identifica, através de nanopartículas fluorescentes, a presença de vírus e bactérias. No ano passado, testes de laboratório realizados pelos pesquisadores revelaram que o método se mostrou 100% eficaz para o diagnóstico do HPV e 70% para a dengue. Melo destaca que os testes usuais para dengue têm confiabilidade menor. O procedimento - patenteado - consiste em misturar, numa máquina, o material genético coletado com lâminas preparadas com fragmentos do vírus (ou bactéria) da doença que se quer diagnosticar.

 

Por causa do material fluorescente, a máquina fica brilhante se houver identificação com o vírus ou bactéria. O diagnóstico, então, é positivo. Caso contrário, não haverá reação e o diagnóstico para a doença estará descartado. 

 

Atualmente, o diagnóstico da gripe suína é realizado em cinco laboratórios autorizados - São Paulo, Rio, Paraná, Rio Grande do Sul e Belém - e leva cerca de 10 dias para fornecer o resultado.

 

"Quanto mais gente tomar o Tamiflu, a medicação indicada, mais possibilidade de o vírus sofrer mutação e se tornar mais resistente", observa. "O ideal é que o Tamiflu seja usado somente pelos que realmente contraem o vírus da gripe A1".

 

Em Pernambuco, quem tem sintomas da gripe suína deve procurar o hospital de referência - Hospital Universitário Osvaldo Cruz (HUOC), no Recife - onde faz coleta de secreção nasal que é encaminhada para o laboratório de Belém. Para fazer a comprovação da eficácia do novo método, o Ministério da Saúde teria de autorizar que fragmentos da mesma secreção fossem também encaminhados para o Instituto Ageu Magalhães, da Fiocruz, no campus da UFPE - onde pessoal da área médica faria os testes utilizando o método Elinor. Os resultados seriam comparados, posteriormente, com os resultados do laboratório oficial.

 

Os pesquisadores dispõem de 30 kits para esta etapa.  É preciso haver validação pela Anvisa para que a técnica possa ser adotado nos hospitais do País. Celso Melo disse não ter pedido a certificação do método Elinor. Segundo ele, isto cabe a quem tiver interesse em produzir os kits. No caso, ou o governo, ou alguma empresa privada.

Mais conteúdo sobre:
gripe suína

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.