Peter Morenus/Universidade de Connecticut/Reuters
Peter Morenus/Universidade de Connecticut/Reuters

Pesquisador dos EUA frauda estudos sobre composto da uva

Dipak K. Das estudava a relação entre envelhecimento e o resveratrol, uma substância presente no vinho; entre as descobertas, estava que 'a polpa da uva é saudável para o coração e a pele'

Reuters ,

13 de janeiro de 2012 | 16h30

Um pesquisador da Universidade de Connecticut que estudava a relação entre envelhecimento e uma substância presente no vinho falsificou mais de 100 dados, o que coloca em dúvida grande parte do trabalho produzido.

Dipak K. Das, que dirigia o centro de pesquisa cardiovascular da universidade estudava os efeitos do resveratrol, componente considerado um meio de retardar o envelhecimento ou de permanecer saudável à medida que se envelhece. Entre suas descobertas, de acordo com um trabalho da Universidade de Connecticut em 2007, estava que "a polpa da uva é saudável para o coração quanto a pele, embora as propriedades antioxidantes sejam diferentes".

"nós temos a responsabilidade de corrigir os dados científicos e informar os pesquisadores", diz Philip Austin, o vice-presidente interino da universidade para questões de saúde.

A universidade diz que uma denúncia anônima levou a uma investigação que começou em 2008. Um relatório de 60 mil páginas - cujo resumo está disponível no endereço bit.ly/xkyS4A -- resultou em 145 episódios de fabricação e falsificação de dados. Outros membros do laboratório do pesquisador podem estar envolvidos, e estão sendo investigados.

A Universidade recusou aceitar uma premiação pelos trabalhos e alertou 11 periódicos que publicaram os trabalhos do pesquisador. Entre os jornais, estão o Antioxidants & Redox Signalin e o Journal of Agriculture and Food Chemistry.

Embora vários cientistas tenham sido céticos sobre várias reivindicações sobre o resveratrol, ele ganhou muito interesse comercial. O laboratório GlaxoSmithKline comprou Sirtris, uma companhia que trabalhava no composto em 2008 por U$ 720 milhões de dólares, mas interrompeu o trabalho sobre uma droga que imitava a atividade do composto por resultados desapontadores.

Uma empresa de Las Vegas, chamada Longevinex, promovia a pesquisa de Das, e ele aparecia em um vídeo falando do nutriente como a próxima aspirina.

Das também dividiu uma patente em 2002 sobre o uso de outro composto da uva, chamado proantocianidina para prevenir e tratar condições cardíacas.

Outros cientistas citaram o trabalho de Das, citando 30 de seus artigos  mais de 100 vezes cada, de acordo com a Thomson Scientific's Web of Knowledge. No ano passado, ele ganhou um prêmio da Associação Internacional dos Cardiologistas.

Mas pesquisadores dizem que o impacto da fraude deve ser pequeno no campo de pesquisa. "Há muitos pesquisadores trabalhando no resveratrol", diz Nir Barzilai, do Albert Einstein College of Medicine. "Isso não significa que sabemos tudo. Mas Roma não foi construída sobre o dr. Das", diz.

Das, que não foi encontrado para comentar o caso, disse em uma carta à universidade em 2010 que a investigação era uma "conspiração" contra ele. O trabalho foi "repetido por muitos cientistas no mundo todo", escreveu.

"Como vocês sabem, devido ao tremendo estresse em meu ambiente de trabalho nos últimos meses eu fui vítima de um derrame e estou sendo submetido a tratamento", escreveu em carta separada.

 

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