Miguel Medina/AFP
Miguel Medina/AFP

Alemães dizem ter identificado causa de coágulo raro associado a vacinas da Astrazeneca e J&J

Segundo os cientistas, as vacinas contra a covid-19 que empregam vetores de adenovírus enviam parte de sua carga para o núcleo das células, onde algumas proteínas podem ser mal interpretadas e provocar coágulos

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 09h30

Pesquisadores da Universidade Goethe de Frankfurt e de outras instituições na Alemanha afirmaram na quarta-feira, 26, que podem ter encontrado a causa dos raros, mas graves episódios de coagulação do sangue entre algumas pessoas que tomaram vacinas contra covid-19 feitas por AstraZeneca e Johnson & Johnson. A pesquisa ainda não foi revisada por pares.

Segundo os cientistas, as vacinas contra o novo coronavírus que empregam vetores de adenovírus - vírus da gripe usados para entregar material vacinal - enviam parte de sua carga para o núcleo das células, onde algumas das instruções para fazer proteínas do coronavírus podem ser mal interpretadas. Com isso, as proteínas resultantes têm potencial de desencadear distúrbios de coágulo sanguíneo em um pequeno número de receptores, sugerem eles.

Cientistas e reguladores de medicamentos dos Estados Unidos e da Europa têm buscado uma explicação para o que está causando os coágulos, acompanhados por baixas contagens de plaquetas no sangue, que levaram alguns países a interromper ou limitar o uso das vacinas da AstraZeneca e da J&J. Outros cientistas sugeriram teorias para a condição de coagulação. 

A Johnson & Johnson, em nota, disse: "Estamos apoiando pesquisa e análise contínuas deste evento raro enquanto trabalhamos com especialistas médicos e autoridades de saúde globais. Esperamos revisar e compartilhar dados assim que estiverem disponíveis". A AstraZeneca não quis comentar.

No artigo, os pesquisadores alemães afirmam que as vacinas que usam a tecnologia conhecida como RNA mensageiro (mRNA) - como as desenvolvidas pela BioNTech com a parceira Pfizer e a Moderna - entrega o material genético da proteína spike do coronavírus apenas para o fluido encontrado dentro das células, não para o núcleo das células. “Todas as vacinas baseadas em mRNA devem representar produtos seguros”, diz o artigo.

O texto ainda sugere que, usando vetores de adenovírus, é possível que os fabricantes de vacinas façam modificações que aumentem a segurança desses produtos farmacêuticos./REUTERS

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