Pesquisadores apresentam tratamento para combater melanoma avançado

Segundo estudo nos EUA, número de pacientes que prolongaram a expectativa de vida duplicou

Efe

05 Junho 2010 | 23h08

WASHINGTON - Um tratamento experimental que trabalha com o sistema de imunidade poderia proporcionar uma forma inovadora de combater o melanoma avançado, tipo de câncer que pode ocasionar a morte em seis meses.

 

Um estudo apresentado neste sábado, 5, na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago, assinala que, com dois tratamentos - uma vacina terapêutica chamada gp 100 e um estimulador de imunidade chamado ipilimumab -, o número de pacientes que prolongaram sua expectativa de vida duplicou.

 

Assim, os pacientes que receberam só a vacina viveram em média seis meses, enquanto os que receberam só ipilimumab, ou uma combinação dos dois compostos, alcançaram uma média de vida de dez meses. O estudou analisou 670 pacientes e foi financiado pelo Medarex Inc, que desenvolveu o ipilimumab.

 

Segundo o diretor da pesquisa do melanoma do Instituto de Pesquisa Los Angeles, em Santa Mónica (EUA), Steven O'Day, o ipilimumab é o primeiro remédio que melhorou a sobrevivência de pacientes com melanoma avançado em prova com grande número de indivíduos.

 

Esse remédio emprega a capacidade de imunidade do corpo para combater o câncer, assinalou Lynn Schuchter, chefe de Hematologia e Oncologia do Centro Abramson do Câncer, na Universidade da Pensilvânia, que usou ipilimumab em seus pacientes.

 

O composto "tira os freios" das células T, que combatem as doenças, acrescentou Schuchter. No entanto, o estímulo ao sistema de imunidade pode fazer com que o organismo ataque tecidos que estão bem, explicou Ou'Day.

 

No estudo, os pacientes que obtiveram mais benefícios do remédio foram também os mais propensos a desenvolver problemas de autoimunidade.

 

De acordo com a pesquisa, publicada pela revista The New England Journal of Medicine, quase dois terços dos pacientes sofreram efeitos secundários, tais como erupções da pele, diarreia, desequilíbrios da tireoide e hepatite.

 

Embora a maior parte das complicações pudesse ser reduzida com outros remédios, de 10% a 15% dos efeitos secundários foram graves.

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