Pesquisadores australianos identificam causa molecular da doença celíaca

Descoberta pode ajudar no desenvolvimento de métodos de diagnóstico, prevenção e tratamento do problema

Efe

21 Julho 2010 | 15h55

WASHINGTON - Pesquisadores australianos conseguiram identificar a causa molecular da doença celíaca, uma reação à proteína glúten encontrada em pães, massas e muitos outros alimentos que contenham trigo, informou a revista Science Translational Medicine.

Jason Tye-Din e seus colegas do Instituto Walter e Eliza Hall de Investigação Médica, em Parkville, apontam no artigo que a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de métodos de diagnóstico, prevenção e tratamento da doença.

Estima-se que haja pelo menos três milhões de pessoas com doença celíaca nos Estados Unidos. A prevalência da doença no país é de aproximadamente uma pessoa em 133, mas aumenta para 1 em 22 nas pessoas que têm parente em primeiro grau com essa desordem do sistema imunológico causado pela intolerância ao glúten.

O Centro de Doença Celíaca da Universidade de Chicago indica que a prevalência é consideravelmente menor entre os hispânicos, negros e asiáticos, com uma média de uma a cada 236 pessoas.

Quando as pessoas que têm esse mal ingerem alimentos que contêm glúten, desencadeiam uma reação do sistema imunológico que danifica os cílios intestinais (pequenas saliências semelhantes a pêlos no interior do intestino delgado que capturam vitaminas, minerais e outros nutrientes).

Depois de um tempo, a incapacidade de absorver as quantidades adequadas de nutrientes causa deficiências de vitaminas que afetam o cérebro, o sistema nervoso, os ossos, o fígado e outros órgãos.

Até agora, a única forma conhecida de lidar com a doença celíaca era uma dieta, para a vida toda, que excluísse todos os alimentos com glúten.

Desde que, há 60 anos, o glúten foi identificado como causa da doença, tem havido pesquisas sobre peptídeos tóxicos do glúten, ou seja, as moléculas que compõem os blocos de proteínas que causam a enfermidade.

Os pesquisadores australianos fizeram um "perfil" das respostas imunes de mais de 200 voluntários com a doença celíaca - dez vezes mais do que em estudos anteriores.

Em seguida, desenvolveram um algoritmo simples para avaliar milhares de peptídeos em pacientes que comeram trigo, cevada e centeio durante três dias para ativar a resposta imune ao glúten.

Eles concluíram que um peptídeo antes negligenciado é responsável pela toxicidade comum do trigo, da cevada e do centeio.

Igualmente importante é que se determinou que as células de defesa do organismo, as chamadas células T do sistema imunológico - específicas para apenas três peptídeos do glúten -, são responsáveis pela maior parte da reação do organismo à proteína.

Esses resultados validam a hipótese já antiga, mas até então não comprovada, de que a doença celíaca ocorre porque as células T que despertaram a reação são altamente especializadas em apenas alguns peptídeos.

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