Pesquisadores criticam métodos para detecção de DST da OMS

Cientistas brasileiros descobriram que práticas da organização são inadequadas; teste ginecológico é mais eficaz

Efe,

10 Março 2009 | 20h11

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Programa Saúde da Família (PSF) descobriram que as práticas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a detecção precoce da gonorreia e da clamídia são ineficazes.   Veja também: Aids é a doença que mais matou na China em 2008, diz governo Dos casos de DST, 75% atingem mulheres em São Paulo  A epidemia da Aids no mundo   No estudo, publicado na revista BMC Medicine, os cientistas afirmam que as recomendações da organização são inadequadas quando se trata de diagnosticar doenças sexualmente transmissíveis nos países em desenvolvimento. Essa ineficácia faz com que as mulheres que as sofrem das doenças não recebam tratamento até uma fase tardia da doença, com as consequências de contágio e o risco para a saúde que isso acarreta.   Os cientistas, liderados por Maria de Fátima C. Alves, testaram os métodos cujo uso são aconselhados pela OMS e pelo Ministério da Saúde em um grupo de 427 meninas de entre 15 e 19 anos e moradoras de uma região pobre de Goiânia (GO). Após analisar amostras vaginais das adolescentes, descobriram que 14,5% tinham clamídia, e 2,1%, gonorreia, um resultado considerado "alarmante" pelos cientistas.   Com o método de pontuação de avaliação do risco recomendado pela OMS e que consiste em um questionário sobre as práticas sexuais, a vida reprodutiva e os sintomas ginecológicos, as doenças foram detectadas em apenas 32% dos casos. Com um simples exame ginecológico, o porcentual de diagnóstico foi de 43,5%.   Segundo a equipe de cientistas, a "baixa sensitividade" do método de avaliação do risco deveria fazer com que seu uso fosse descartado como uma ferramenta de exame ou teste de diagnóstico entre mulheres sem sintomas ou com poucos sintomas de infecções sexuais.   "Os resultados são preocupantes. Sabe-se que as doenças sexualmente transmissíveis aumentam a probabilidade de transmissão do HIV, portanto o controle dessas infecções é imperativo", indica Alves, que pede novas estratégias para controlar essas doenças entre as adolescentes.

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