Pesquisadores dão passo rumo a vacina universal contra a gripe

Eles identificaram um pedaço do vírus que parece se manter mesmo entre cepas mutantes

REUTERS

25 Maio 2010 | 19h09

Uma versão "decapitada" do vírus influenza protegeu camundongos de diversas cepas de gripe, e pode ser um passo rumo à chamada vacina universal para a doença, informam pesquisadores nesta terça-feira, 25.

 

Eles identificaram um pedaço do vírus que parece se manter mesmo entre cepas mutantes, e descobriram um meio de convertê-lo numa vacina.

 

Anos de trabalho ainda serão necessários, mas se o produto funcionar em seres humanos como funcionou nos roedores, a nova vacina poderá transformar o modo de imunização das pessoas contra a doença, diz a equipe da Escola de Medicina Monte Sinai de Nova York.

 

"Informamos agora progresso rumo à meta de uma vacina de vírus influenza que poderia proteger contra várias cepas", escrevem os médicos Peter Palese, Adolfo Garcia-Sastre e colegas em uma nova revista científica, mBio, disponível na internet.

 

"As vacinas atuais contra a gripe são eficazes contra uma amplitude estreita de cepas  de vírus. É por essa razão que novas vacinas precisam ser geradas e administradas a cada ano".

 

Vírus de gripe sofrem mutações constantes e a cada ano um coquetel de três vacinas de gripe é criado para tentar conter os tipos mais comuns. Em intervalos de poucas décadas, novas cepas pandêmicas emergem, como foi o caso do vírus H1N1 de 2009, e têm de  ser integradas à vacina.

 

A equipe de Palese focalizou Umm pedaço importante do vírus da gripe, chamado hemaglutinina. Essa estrutura, em forma de cogumelo, ajuda o vírus a se fixar às células que infecta e é o "H" do nome das cepas.

 

O "pescoço" da hemaglutinina não sofre mutações do mesmo jeito que as partes mais visíveis do vírus, e se houvesse uma forma de torná-lo mais visível para o sistema imunológico, esse seria um ótimo antígeno, ou alvo da vacina. Mas o "chapéu" do cogumelo esconde o pescoço, protegendo essa parte do vírus. O grupo de Palese descobriu um meio de atingir o pescoço, decepá-lo e fazer uma vacina com ele.

 

"Uma molécula de hemaglutinina decapitada poderia formar a base de uma vacina contra gripe que ofereceria proteção ampla", escrevem os pesquisadores.

 

"Este artigo é uma prova de conceito", disse  Garcia-Sastre. "Não achamos que já encontramos a forma ótima de expor o antígeno".

 

Testes em camundongos mostraram que a vacina os protege de doses potencialmente letais de diversas variedades de vírus da gripe.

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