Michal Jarmoluk por Pixabay
Michal Jarmoluk por Pixabay

Pesquisadores descobrem nova variante P.4 do coronavírus, já presente em 21 cidades de São Paulo

Cepa é derivada da mesma linhagem da P.1, registrada inicialmente em Manaus

João Ker, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2021 | 19h40

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) anunciaram nesta terça-feira, 25, a descoberta de uma nova variante do coronavírus, em amostras coletadas no município de Porto Ferreira, no interior paulista. Batizada como P.4, por derivar da mesma linhagem que deu origem à P.1, identificada inicialmente em Manaus, a nova cepa já foi encontrada em amostras de outros 20 municípios do Estado de São Paulo.

"A primeira coisa que percebemos foi a mutação L452R, na proteína spike (espícula) do vírus. Então, analisamos outras sequências já decodificadas do banco de dados e verificamos que esta poderia ser uma nova variante", explica Cintia Bittar, pesquisadora virologista da Unesp e membro da Rede Corona Ômica BR.

A mutação foi identificada ainda em fevereiro e, no último dia 4, a amostra foi submetida à análise em uma plataforma internacional, que reúne sequenciamentos realizados no mundo todo com o objetivo de identificar e monitorar o surgimento de novas variantes. Após fazerem novas investigações, o grupo da Unesp identificou que essa nova cepa vinha da B.1.1.28, a mesma linhagem que deu origem à P.1, identificada inicialmente em Manaus.  

Nesta terça-feira,25, a variante foi oficialmente reconhecida como uma nova mutação do Sars-CoV-2 e batizada como P.4. Desde fevereiro, ela foi encontrada em amostras de outros 20 municípios do Estado de São Paulo e, de acordo com Cintia, já circula livremente pelo menos na região de Porto Ferreira. 

"Comparamos a nossa amostra com outras sequências do banco de dados e já existia essa variante em outras cidades de São Paulo", explica a pesquisadora. Ela também afirma que a P.4 apresenta alterações similares à B.1.617, identificada inicialmente na Índia. "É a mesma mutação em uma região importante do vírus, também encontrada na variante indiana, apesar de elas não estarem relacionadas, e que causa uma redução no reconhecimento do vírus pelos anticorpos."

Além desta, outras 17 mutações foram identificadas na P.4. "É esse conjunto que faz ela ser classificada como preocupante", aponta João Pessoa Araújo Junior, professor da Unesp e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia. Ele afirma que, agora, o grupo vai fazer análises retroativas para descobrir se houve alguma ocorrência da variante antes de fevereiro. Os novos testes terão o apoio de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que irão analisar amostras de cidades próximas à fronteira com São Paulo.

"O fato de ela estar em ascensão nos chama muita atenção. Não é uma variante que aparece a todo momento e acaba desaparecendo. Ela está aumentando a frequência de transmissão", afirma o pesquisador, que diz ter observado uma maior presença da P.4 nas região de Porto Ferreira durante os últimos três meses. 

Cíntia frisa que ainda é cedo para afirmar se a P.4 é mais transmissível ou letal do que o vírus original, e afirma também que, até o momento, as vacinas disponíveis já apresentaram alguma eficácia contra as variantes descobertas, mas alerta: "Estamos vendo ainda que a circulação da variante está aumentando em Porto Ferreira. Essa é uma mutação considerada importante". 

De acordo com a pesquisadora, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCIT) e a Prefeitura de Porto Ferreira foram informados sobre a descoberta no último dia 4. "Nosso objetivo é identificar as mutações no começo e tentar evitar que essa variante esteja no mundo inteiro, como aconteceu com a P.1. Se esperarmos para decidir se ela é ruim ou não, pode ser tarde demais."

A P.4 já foi identificada nas seguintes cidades de São Paulo: Mococa, Cesário Lange, Itirapina, Araras, Santa Cruz das Palmeiras, Tambaú, Rio Claro, Sumaré, Caconde, Tapiratiba, Itapetininga, Capão Bonito, Iperó, Itapera, São José do Rio Pardo, São Miguel Arcanjo, Descalvado, Cordeirópolis, Ipeúna, Pirassununga e Porto Ferreira.

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