Pesquisadores serão indenizados, diz enviado da Marinha

Governo pretende indenizar cada um com R$ 10 mil pelas perdas pessoais sofridas

Sergio Torres,

27 de fevereiro de 2012 | 18h21

 Enviado pela Marinha a Punta Arenas, na Patagônia chilena, para coordenar o resgate dos brasileiros que escaparam do incêndio da Estação Antártica Comandante Ferraz, o contra-almirante Marcos José de Carvalho Ferreira disse aos pesquisadores que o governo pretende indenizá-los, cada um deles, com R$ 10 mil pelas perdas pessoais sofridas.

A conversa de Carvalho Ferreira, secretário da Comissão Interministerial para Recursos do Mar (Secirm), com os 30 cientistas ocorreu no domingo, no hotel Diego Almagro, antes do embarque do grupo de volta ao Brasil. Não se abordou uma possível indenização às famílias dos militares mortos (suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e sargento Roberto Lopes dos Santos).

O comandante relatou aos pesquisadores, vinculados às principais universidades brasileiras, a intenção do governo da presidente Dilma Rousseff de, na medida do possível, reembolsá-los pela perda de documentos, dinheiro, aparelhos, roupas e outros bens pessoais, decorrente da destruição pelo fogo da base científica e militar brasileira na Antártida.

A quantia indenizatória não incluiu valores referentes às pesquisas que vinham sendo desenvolvidas. Avaliados em milhões de dólares, esses trabalhos são consideradas inteiramente perdidos pelos cientistas.

De acordo com o contra-almirante, a proposta e o valor da indenização serão encaminhados à apreciação do Congresso Nacional, por intermédio da Frente Parlamentar de Apoio ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Não há prazo nem para a votação do pedido nem para o pagamento.

Embora não contem mais com os materiais deixados às pressas nos camarotes, os cientistas pensam que algo ainda pode ser recuperado, especialmente nas instalações mais afastadas da praça de máquinas, local onde o fogo começou.

O biofísico João Paulo Machado Torres, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, chegou em casa, em Niterói, (cidade na Região Metropolitana do Rio), na madrugada de ontem, vestido com uma camisa cedida por um chileno. Não tinha um tostão no bolso. Perdeu o passaporte, dinheiro e toda a roupa que levara para a Antártida _na bagagem, havia uma camisa do Fluminense, time pelo qual torce e que acaba de conquistar a Taça Guanabara.

Ao acordar, o cientista recebeu um presente do filho Marcos, de 14 anos: uma camisa tricolor nova. "Não tenho esperança de reaver nada, embora não saiba se meu camarote chegou a ser destruído totalmente", afirmou.

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