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Pesquisadores usam supercâmera para estudar a produção da voz

Aparelho de videolaringoscopia captura imagens das pregas vocais da laringe humana

Agência Fapesp,

23 de abril de 2012 | 13h30

Para produzir a voz, as pregas vocais existentes na laringe humana vibram entre 100 e 400 vezes por segundo. O fenômeno, impossível de ser observado a olho nu, pode ser visto em câmera lenta graças a um aparelho de videolaringoscopia capaz de capturar até 4 mil imagens por segundo.

A tecnologia tem permitido a pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) entender melhor o funcionamento das pregas vocais e estudar patologias que prejudicam sua vibração. Também se tornou possível avaliar, com critérios objetivos, o impacto de cirurgias e tratamentos fonoaudiológicos na produção da voz.

Pioneiro no país, o equipamento foi adquirido com recursos de um projeto financiado pela FAPESP e coordenado pelo professor José Carlos Pereira, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP.

Por meio de parceria com uma equipe de otorrinolaringologistas da Faculdade de Medicina coordenada pelo professor Domingos Hiroshi Tsuji, a máquina foi doada ao Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, onde estão sendo feitos os exames que já resultaram em duas dissertações de mestrado - além de cinco doutorados e um pós-doutorado em andamento.

“Como esse equipamento é novo, o primeiro passo foi definir o que seria o funcionamento normal das pregas vocais. Para isso, criamos um protocolo”, conta o pesquisador Arlindo Neto Montagnoli, orientador do projeto de mestrado da fonoaudióloga Regina Aparecida Pimenta, realizado com Bolsa da FAPESP.

No trabalho, Pimenta avaliou a vibração das pregas vocais de 30 voluntários sem queixa na voz - 12 homens e 18 mulheres - antes e depois da realização de exercícios fonoaudiológicos. “Foi possível comprovar que os exercícios melhoram, por exemplo, a mobilidade e a amplitude de vibração das pregas. Isso faz com que as pessoas se desgastem menos para falar. É como uma musculação para a voz”, explicou.

Outro projeto de mestrado já concluído foi o da fonoaudióloga Paula Belini, que comparou o funcionamento das pregas vocais de pacientes sadios com o de portadores de nódulos vocais.

Para fazer essas avaliações, uma equipe de engenheiros coordenada por Montagnoli desenvolveu um software que simula o movimento das pregas vocais e mede diversos parâmetros, como os ciclos de vibração das pregas e o tempo de fase fechada. O projeto resultou na tese de doutorado de Alan Petrônio Pinheiro, que deve ser defendida ainda em 2012.

“Pretendemos criar um modelo computacional para testar técnicas cirúrgicas de forma virtual. Isso daria ao médico uma ideia de como poderá ficar a voz do paciente após a operação”, contou Montagnoli.

O pesquisador já havia trabalhado com o conceito de cirurgia virtual em seu próprio doutoramento, mas o software foi aperfeiçoado graças às informações fornecidas pelo novo videolaringoscópio. “Antes o modelo era unidimensional. Agora, desenvolvemos uma versão tridimensional”, disse.

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