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Pessoas com Alzheimer mantêm as emoções vivas, aponta estudo

Cientistas exibiram filmes a pacientes; embora não se lembrassem da história, conservavam sensações de alegria ou tristeza

EFE

26 Setembro 2014 | 17h25

Os pacientes com Alzheimer podem sentir emoções mesmo que, por causa da doença, tenham esquecido o motivo que as causou, segundo estudo coordenado por Edmarie Guzmán-Vélez e publicado na revista Cognitive and Behavioral Neurology.

A pesquisa destaca que mesmo que os pacientes possam não se lembrar de uma visita recente de um parente querido ou de episódios em que eles não foram bem cuidados, essas ações podem ter um impacto em como eles se sentem.

"É uma mensagem muito clara", afirmou a pesquisadora, que destacou a importância de que os familiares e os cuidadores aprendam a se comunicar com o paciente com Alzheimer para induzi-los a emoções positivas.

"Sim, talvez eles não se lembrem que foram levados para comer sua comida favorita ou para ver o filme preferido, mas esse momento de felicidade, esse sentimento positivo vai continuar estando ali", assegurou Edmarie, autora principal do estudo e estudante de doutorado em psicologia clínica na Universidade de Iowa.

"E mais: se gritam com ele ou acontece algo que o faça sentir triste, esse sentimento vai permanecer durante um tempo, o que significa que é sumamente importante que dediquemos tempo para promover emoções positivas e minimizar ao máximo as emoções negativas", disse.

A equipe de cientistas da Universidade de Iowa mostrou a 17 pessoas saudáveis e 17 com Alzheimer fragmentos de filmes tristes e alegres, que desataram emoções como risadas e lágrimas.

Cerca de cinco minutos depois de ver os filmes, os pesquisadores entregaram aos participantes uma prova de memória para ver se podiam recordar o que tinham visto.

Como era de se esperar, apontam os pesquisadores, os pacientes com Alzheimer retiveram significativamente menos informações sobre os filmes. Quatro deles eram incapazes de recordar qualquer informação factual sobre os filmes e um nem se lembrava de ter visto o filme.

Entretanto, os pacientes foram capazes de ter um sentimento de alegria ou tristeza por um período de até 30 minutos depois de haver visto o filme, independentemente da capacidade de sua memória para recordar o que causou a emoção. 

"Isso confirma que a vida emocional de um paciente com Alzheimer está viva", afirmou a pesquisadora, que destacou as implicações diretas que estas descobertas têm para ensinar os cuidadores a melhorar o trato com estes pacientes.

Para Edmarie, a descoberta deveria "animar os cuidadores, mostrando a eles que suas ações em relação aos pacientes são realmente importantes".

As visitas frequentes, as interações sociais, o exercício, a música, a dança ou as brincadeiras "são todas coisas simples que podem ter um impacto emocional duradouro na qualidade de vida de um paciente e no bem-estar subjetivo".

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