Victoria Jones/AFP
Victoria Jones/AFP

Pessoas com histórico de alergias graves não devem tomar vacina da Pfizer, diz Reino Unido

Duas pessoas tiveram reação após receber o imunizante no primeiro dia de vacinação contra o coronavírus no país. Casos estão sendo observados também pelos Estados Unidos e pela União Europeia, que avaliam a segurança do imunizante

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 09h10
Atualizado 09 de dezembro de 2020 | 18h16

LONDRES - Órgãos reguladores do Reino Unido afirmaram nesta quarta-feira, 9, que pessoas com um "histórico significativo" de reações alérgicas não devem receber a vacina contra a covid-19 da Pfizer e da BioNTech. A recomendação deve durar enquanto autoridades locais investigam dois casos de reação alérgica ocorridos no primeiro dia de vacinação em massa no país. O alerta pode levar autoridades americanas e europeias a restringir a imunização para pessoas com um tipo grave de reação alérgica.

Ainda segundo o comunicado, a restrição é voltada para pessoas com histórico anterior semelhante à anafilaxia, reação alérgica grave e de rápida progressão que pode provocar a morte, ou pessoas que precisam carregar adrenalina autoinjetável, recomendada para controlar casos em que a crise alérgica evolui de forma rápida e aguda.

O Reino Unido começou a imunizar idosos e profissionais de saúde nessa terça-feira, 8. A primeira vacina foi aplicada em uma idosa de 90 anos, Margaret Keenan, que se tornou a primeira pessoa no mundo a receber a vacina da Pfizer-BioNTech fora de um ensaio clínico.

O professor Stephen Powis, diretor médico nacional para o Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra (NHS, em inglês), disse que as autoridades de saúde agem a partir de uma recomendação da agência reguladora de medicamentos do país. A informação foi divulgada em comunicado, segundo o qual as pessoas que tiveram reação "estão se recuperando bem". 

O NHS confirmou que dois profissionais de saúde sofreram uma reação após receberem a primeira das duas doses da vacina. Pouco depois de serem imunizados, eles sofreram uma "reação anafilática", mas se recuperaram bem. Logo após os sintomas, receberam o tratamento adequado, de acordo com as autoridades sanitárias.

Esses tipos de reações são repentinas e generalizadas, geralmente começando com uma sensação de formigamento e tontura. Ao que tudo indica, esses dois profissionais de saúde têm histórico clínico de alergias graves, de acordo com a mídia britânica.

O NHS afirmou que todos os hospitais ingleses que participam do programa de vacinação foram informados das ocorrências. Os órgãos reguladores do Reino Unido pedem que os centros onde as vacinas estão sendo administradas tenham instalações adequadas para atender aos afetados em caso de algum tipo de reação. 

Uma autoridade dos Estados Unidos disse nesta quarta-feira que americanos com reações alérgicas severas poderão não estar aptos a receberem a vacina da Pfizer. "A expectativa é que pessoas com alergia severa não devem tomar a vacina até entendermos exatamente o que aconteceu", disse Moncef Slaoui, conselheiro-chefe do país nos esforços para o desenvolvimento e distribuição da vacina contra  a covid-19. O Ministério da Saúde do Canadá disse também estar acompanhando o caso.

A agência regulatória da União Europeia informou que poderá usar dados de outros países para avaliar a segurança do imunizante da Pfizer antes de tomar uma decisão no processo de aprovação do imunizante. A declaração desta quarta-feira ocorreu no contexto do alerta emitido pelo Reino Unido. "Toda informação disponível sobre a qualidade, a segurança e a eficácia da vacina será levada em consideração. Isso inclui dados de segurança gerados a partir do uso da vacina fora da União Europeia", disse a Agência Europeia de Medicamentos. 

A agência britânica inicialmente aconselhou pessoas com histórico de alergias severas a vacinas, medicamentos ou comidas a evitar a vacina da Pfizer. Contudo, no fim desta quarta-feira, a orientação passou a excluir alergias oriundas da alimentação. "Estamos ajustando a orientação para deixar claro que se você tem uma alergia alimentar, você não está mais em risco (neste caso)", disse Paul Turner, especialista em imunologia e alergias do Imperial College, de Londres, que está aconselhando a agência neste caso.

A reação alérgica na vacina da Pfizer pode ter sido causada por um componente do imunizante chamado polietilenoglicol (PEG), que auxilia na estabilização da dose e não está presente em outros tipos de vacina. "Com a chegada de mais informações, a preocupação inicial de que isso talvez afetasse pessoas todas as pessoas com alergias não é verdadeira", acrescentou Turner à agência Reuters. 

"Ingredientes como o PEG, que pensamos ser talvez o responsável pelas reações, não estão relacionados ao que causa alergia alimentar. Assim, pessoas com uma alergia conhecida a um medicamento não devem estar em risco", apontou o especialista do Imperial College. 

O professor Stephen Evans, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, disse, de acordo com o divulgado pelo jornal americano The Washigton Post, que reações alérgicas ocorre com um bom número de vacinas, "e mais frequentemente com medicamentos". "Então, não é algo inesperado", apontou. "O que seria sensato é que todos que tenham uma reação alérgica conhecida, como aqueles que precisam andar com uma EpiPen (Adrenalina auto injetável), que adiem a vacinação até que a razão dos episódios sejam esclarecidas", disse Evans. /AP, REUTERS e EFE

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