Gabriel Huth / Beneficência Portuguesa de Pelotas
Gabriel Huth / Beneficência Portuguesa de Pelotas

'Pessoas não têm noção da pandemia. Dentro do hospital, vemos a gravidade da doença'

Médico do hospital Beneficência Portuguesa de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Leandro Figueiredo fala sobre o atual momento da pandemia no Estado. 'Em um momento o paciente está estável, de uma hora para outra descompensa', comenta

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2021 | 10h00

Depoimento de Leandro Figueiredo, médico das UTIs covid e geral e do Pronto Atendimento da Beneficência Portuguesa de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

“No início da pandemia a gente estava bem preparado e não viu todo esse volume de casos. De novembro para cá o atendimento aumentou muito, tanto no pronto atendimento quanto na UTI. Ainda não chegou a faltar leito, mas estamos muito perto disso.

A maior dificuldade em abrir novos leitos é conseguir equipe técnica. O Estado até pode comprar mais equipamentos, mas faltam médicos preparados para atender aquele tipo de paciente. 

Com muito esforço, conseguimos mais médicos para ajustar a escala e abrir mais dez leitos. É difícil manter uma carga horária muito grande na UTI covid porque o trabalho é intenso, tu não tem um minuto de descanso. Tu estás sempre tenso, sempre tem alguma coisa para fazer, é um cansaço físico e mental. 

Eu trabalho todos os dias das 8h às 18h e faço plantões noturnos nas quartas e sextas-feiras a cada quinze dias. Também faço plantão de 24h em dois fins de semana por mês. Nesse meio-tempo preciso cobrir algum colega que está doente. A gente não tem escolha: tem que se organizar para pegar esses plantões. 

O mais triste é que o paciente que vai para a UTI não pode receber visita, é sempre o médico quem dá a notícia. A família fica com muito medo, e com razão, porque o risco de o paciente não sair dali é muito grande.

As pessoas não têm noção da pandemia. Pode não ter ninguém infectado no teu meio, mas a gente que está no hospital vê a gravidade e rapidez com que a doença evolui. A dificuldade de manejo desses pacientes é muito grande. Em um momento o paciente está estável, de uma hora para outra descompensa. Ou tem um grau de melhora, de repente piora e vai a óbito. O recado que fica é a importância de usar a máscara para proteger a si e aos outros e ficar em casa o máximo que der.” /Depoimento a Mariana Hallal

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