PF desmonta esquema de revalidação de falsos diplomas de Medicina

Delegado responsável pela operação também investiga se profissionais com diplomas inválidos tentavam participar do programa Mais Médicos

Fátima Lessa, Especial para o Estado

18 de outubro de 2013 | 13h58

CUIABÁ - A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 18, a Operação Esculápio em 14 Estados com o objetivo de desbaratar um esquema de fraudes na revalidação de diplomadas de Medicina obtidos em outros países, principalmente na Bolívia. Os falsos médicos, na maioria, são brasileiros e compraram diplomas no país vizinho.

O delegado Guilherme Torres, responsável pela Operação Esculápio, disse que "a princípio não tem como afirmar que os falsos médicos tenham tentado ingressar" no programa Mais Médicos, iniciativa do governo federal para levar profissionais às periferias das grandes cidades e no interior. Torres, no entanto, não descarta essa possibilidade.

"O que se sabe é que existem médicos formados na Bolívia entrando na Justiça brasileira tentando entrar no Mais Médicos sem que tenham diploma revalidado", afirmou. O delegado disse que a operação é apenas o começo da investigação mais detalhada. O envolvidos estão sendo interrogados e ninguem foi preso.

Estão sendo cumpridos 41 mandados de busca e apreensão determinados pela 7ª Vara Criminal de Justiça Federal de Mato Grosso, em quatro cidades do Estado, além de Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Rio Grande do Sul e São Paulo .

As investigações começaram após a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ter suspeitado de 41 pessoas que se inscreveram para revalidar o diploma de Medicina e que alegaram ter estudado em instituições bolivianas. Depois de investigação a UFMT constatou que alguns nunca foram alunos das instituições e, em outros casos, não haviam sequer concluído o curso.

A Polícia Federal acredita que no esquema estão envolvidos pessoas que trabalham nas próprias universidades bolivianas. Esses servidores forneciam documentos e o falso diploma que tinha a marca da instituição e detalhes específicos da universidade. Sobre o envolvimento de advogados brasileiros, ele disse que "a princípio os advogados são inocentes e foram contratados sem que soubessem do esquema".

De acordo com a assessoria de imprensa da PF, dos investigados que se inscreveram na revalidação, 29 foram representados por cinco advogados ou despachantes, "que teriam subrogado outras pessoas para realizar a inscrição dos supostos médicos".

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que a Operação Esculápio não tem nenhuma relação com o Revalida. De acordo com a pasta, a UFMT não integra a lista de instituições federais que aplicam o exame. O MEC ainda esclareceu que "as universidades federais têm autonomia para revalidar diplomas, conforme prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação".

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