PF e Anvisa descobrem quadrilha de falsificação de próteses

Material feito sem cuidados e padrão de qualidade deteriorava-se e causava problemas de saúde

Emilio Sant’Anna, Estadão

03 de outubro de 2007 | 20h30

Os implantes deveriam durar até 15 anos. Em menos de 5, no entanto, uma reação chamada metalose (rejeição do organismo ao metal) corroía os ossos e as próteses de titânio colocadas nos pacientes. A conseqüência para muitos deles: amputação de uma perna ou um braço.   Reclamações desse tipo levaram a Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a desencadear ontem uma ação contra uma quadrilha de falsificadores de próteses ortopédicas fabricadas sem higiene ou segurança.   Batizada de Operação Metalose, as investigações começaram no final do ano passado em 12 cidades de quatro Estados brasileiros. Foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão e, até a noite desta quarta-feira, cinco pessoas haviam sido presas. Quatro no Estado de São Paulo e uma em Petrolina, em Pernambuco.   A adulteração e a falsificação de produtos sujeitos à vigilância sanitária é crime hediondo contra a saúde pública. Os indiciados podem ser condenados a penas de 10 a 15 anos de prisão.   De acordo com o delegado José Navas Jr., chefe da investigação, as próteses eram produzidas em ambientes sem a menor condição sanitária. "Eram verdadeiras fundições."   O esquema funcionava de forma simples. Fábricas de produtos médicos, sem registro para produzir próteses, contratavam essas fundições para fazê-las em seu lugar. Normalmente longe dos grandes centros urbanos, essas fábricas de fundo de quintal não levantavam suspeitas.   Com o tempo, descobriram um novo mercado. Passaram a dispensar as fábricas de produtos médicos e a fazer a venda direta para os distribuidores de produtos hospitalares. A operação da PF descobriu que algumas delas anunciavam seus produtos pela internet e chegaram a exportar as próteses falsificadas.

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