Google Street View
Google Street View

PF investiga quem está por trás do esquema de vacinação de falsa enfermeira em MG

Filhos da mulher, que chegou a ser presa na semana passada, prestaram depoimento nesta segunda; após achar soro fisiológico, polícia acredita em golpe

Leonardo Augusto, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2021 | 21h24

BELO HORIZONTE - A Polícia Federal abriu nova linha de investigação no inquérito que apura a suposta vacinação contra covid-19 de empresários em garagem de uma empresa de ônibus em Belo Horizonte. As autoridades passaram a trabalhar com a possibilidade de a falsa enfermeira, investigada como sendo quem aplicou as doses, ser uma peça do esquema, e não a mentora, como apontado inicialmente.

A suspeita da PF é que os empresários tenham caído em um golpe. Perícia da corporação após diligências na semana passada apontaram que parte de material apreendido na casa da falsa enfermeira, que na verdade é cuidadora de idosos, era soro fisiológico. E que as injeções aplicadas nos empresários teria esse produto, e não um imunizante contra covid-19.

Novas diligências serão colocadas em andamento pela corporação para tentar chegar a quem realmente arquitetou o esquema. Dúvidas sobre a possibilidade de a falsa enfermeira ser a articuladora do possível golpe surgiram a partir do depoimento da cuidadora de idosos, no dia 30. Ela permaneceu em silêncio a maior parte do tempo, mas os investigadores conseguiram identificar indícios de que a mulher não seria a pessoa que armou o golpe.

Nesta segunda-feira, 5, um filho e uma filha da falsa enfermeira foram ouvidos na Polícia Federal e a corporação manteve, ao menos por enquanto, a linha de investigação no sentido de que não seria ela a articuladora. A cuidadora de idosos chegou a ser presa depois do depoimento, mas conseguiu habeas corpus na última sexta-feira, 2.

Ao mesmo tempo em que tenta identificar um ou mais possíveis responsáveis por armar o esquema de vacinação falsa, a PF busca ainda estabelecer exatamente onde o golpe começou a ser aplicado na cidade e como se alastrou. Conforme mostrou o Estadão, as investigações da corporação apontam que a cuidadora de idosos já atuava com o esquema desde o início de março. A PF apurou que a mulher atendia também no esquema de vacinação por delivery, e que um dos bairros em que mais fez "atendimentos" foi no Belvedere, bairro de classe alta na zona sul da cidade.

A atuação da falsa enfermeira em BH foi revelada pela revista piauí, em reportagem de 24 de março. Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros na garagem da empresa, que fica no bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte.

Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação, na empresa, ocorreu na segunda-feira, 22, e terça-feira, 23. Pelo menos 80 pessoas no local passaram pelo procedimento. Funcionários informaram à reportagem do Estadão que a empresa faz parte do grupo Saritur de transporte, um dos maiores de Minas. Segundo a revista piauí, cada "vacinado" pagou R$ 600 para ter duas doses do que seria um imunizante contra covid-19.

Legislação aprovada pelo Congresso Nacional autoriza a importação de vacinas, desde que parte seja repassada ao Sistema Único de Saúde ao longo do período em que são imunizados grupos prioritários, como idosos e agentes de saúde. A PF, inicialmente, trabalhava com três linhas de atuação. Desvio de vacina do SUS, contrabando do imunizante ou golpe, hipótese que vem se confirmando.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.