Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pfizer antecipará cronograma e entregará 14 milhões de doses ao Brasil até junho, diz Guedes

Segundo o ministro, farmacêutica informou ao governo brasileiro que aumentará a produção diária de 1,5 milhão para 5 milhões de doses de imunizante contra o novo coronavírus

Lorenna Rodrigues e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 11h37
Atualizado 08 de março de 2021 | 15h39

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse na manhã desta segunda-feira, 8, que a Pfizer antecipará o cronograma e entregará 14 milhões de doses de vacina contra a covid-19 até junho. Inicialmente, o plano previa 9 milhões até a data. O anúncio ocorreu após reunião entre representantes da farmacêutica, via videoconferência, com o presidente Jair Bolsonaro. “A solução para o Brasil é vacinar para manter imunidade da população e preservar sinais vitais da economia”, afirmou Guedes.

Segundo o ministro, a Pfizer informou ao governo brasileiro que vai aumentar a produção diária de 1,5 milhão para 5 milhões de doses. “O presidente da Pfizer disse que o Brasil é muito importante, são 200 milhões de brasileiros. Ele se comprometeu a olhar para essa expansão potencial e vai olhar com carinho futuros aumentos na produção do Brasil”, completou.

A vacina da Pfizer foi a primeira a receber registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contra a covid-19, em 23 de fevereiro. O imunizante tem eficácia global de 95%. Para a população acima de 65 anos, alcança 94%, segundo avaliou a agência sanitária.

Em vídeo da reunião divulgado em suas redes sociais, Bolsonaro afirmou a necesidade de comprar as vacinas em função da "agressividade" do novo coronavírus no País. A videoconferência foi com o CEO da Pfizer, Albert Bourla.

"Reconhecemos a Pfizer como uma grande empresa mundial, com grande espaço no Brasil também, e, em havendo possibilidades, nós gostaríamos de fechar contratos com os senadores até pela agressividade que o vírus tem se apresentado no Brasil", afirmou Bolsonaro na reunião.

Apesar de hoje reconhecer a necessidade de adquirir os imunizantes, Bolsonaro desdenhou em mais de uma oportunidade da proposta do laboratório para venda da vacina. “Lá no contrato da Pfizer está bem claro: ‘Não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema de você’”, disse o presidente em 17 de dezembro.

Em nota, a farmacêutica informou apenas que, durante o encontro, a Pfizer "reiterou o compromisso da companhia com o Brasil". "Albert Bourla reforçou que a Pfizer considera o país um dos parceiros mais valiosos e importantes globalmente, e que a Pfizer espera seguir avançando para o fornecimento de sua vacina contra a COVID-19 para apoiar o Governo Brasileiro na preservação da saúde da população brasileira", dz a empresa.

A previsão é de compra de 99 milhões de doses da Pfizer, sendo que 9 milhões chegariam ao país até junho, 30 milhões até setembro e o restante até o fim do ano. Nos últimos meses, o titular da Saúde tem sido pressionado a avançar nas negociações com as farmacêuticas e a ampliar a lista de vacinas à disposição.

Este obstáculo foi superado após a Câmara aprovar, na semana passada, um projeto de lei para que a União possa assumir as responsabilidades por eventuais efeitos adversos de vacinas da covid-19, o que abriu caminho para o negócio com a Pfizer avançar.

Segundo Guedes, houve “problemas de escala” na negociação com a farmacêutica. “Os dois lados reconhecem isso. Não fazia sentido 100 mil doses, isso não é número para o Brasil”, afirmou. “Os dois lados demoraram um pouco com as negociações, mas temos que olhar pra frente”, completou. 

A previsão anunciada pelo Ministério da Saúde é de compra de 99 milhões de doses da Pfizer até o fim do ano.

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