Luis Acosta/AFP
Luis Acosta/AFP

Vacina da Pfizer contra a covid funciona em crianças de cinco a onze anos, diz farmacêutica

A empresa afirmou que buscará em breve a autorização dos Estados Unidos para aplicar o imunizante nessa faixa etária

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2021 | 08h49
Atualizado 20 de setembro de 2021 | 18h27

A Pfizer anunciou nesta segunda-feira, 20, que sua vacina contra a covid-19 é eficaz para crianças de cinco a 11 anos. O imunizante já é usado em adolescentes de 12 a 17 anos em diversos países, incluindo o Brasil. A informação foi divulgada por meio de um comunicado e a farmacêutica ainda não detalhou os dados dos estudos em publicação científica.

A empresa disse que em breve pedirá aos Estados Unidos para usar o imunizante nessa faixa etária. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que a farmacêutica ainda não solicitou a inclusão de crianças de cinco a 11 anos na bula da vacina.  

A dose testada nas crianças em idade escolar foi cerca de um terço da quantidade aplicada em adultos e adolescentes. Mesmo assim, o vice-presidente sênior da Pfizer, Bill Gruber, disse à Associated Press que o público-alvo desenvolveu níveis de anticorpos capazes de combater o coronavírus após a segunda dose.

Gruber disse ainda que a dosagem para crianças se mostrou segura, com efeitos colaterais temporários semelhantes ou mais leves que os experimentados pelos adolescentes. “Acho que realmente acertamos no ponto ideal”, disse Gruber, que também é pediatra, à AP.

A Pfizer informou que pretende pedir até o fim do mês autorização à FDA (órgão que regulamente o uso de medicamentos nos Estados Unidos) para uso emergencial do imunizante nessa faixa etária. Em seguida, o pedido deve ser encaminhado a reguladores europeus e britânicos.

Em junho, o Estadão mostrou que o Brasil foi um dos países que mais perdeu crianças de zero a nove anos para a covid-19. A doença afetou majoritariamente crianças negras e da região nordeste. 

Até meados de setembro, pelo menos 19,4 mil crianças de até 12 anos foram internadas com covid-19 no País. Destas, 1,3 mil morreram. A maioria dos internados (71%) não tinha nenhum fator de risco para a doença. Os bebês e as crianças de até três anos de idade respondem por 52,8% das mortes e 49,2% das internações.

Em entrevista à AP, Gruber disse sentir "uma grande urgência" em disponibilizar a vacina a crianças com menos de 12 anos. "Há uma demanda reprimida para que os pais possam ter seus filhos de volta a uma vida normal."

Nos Estados Unidos, mais de cinco milhões de crianças testaram positivo para a covid-19 desde o início da pandemia e pelo menos 460 morreram, de acordo com a Academia de Pediatria Americana. Os casos em crianças aumentaram dramaticamente à medida que a variante delta varreu o país.

Estudo

A Pfizer disse que aplicou a vacina em 2.268 alunos do jardim de infância e crianças em idade escolar. De acordo com o relatado pela empresa, a FDA exigiu um estudo de "ponte" imune, ou seja, evidências de que as crianças mais novas desenvolveram níveis de anticorpos já comprovados como protetores em adolescentes e adultos. O estudo ainda está em andamento e não houve casos de covid-19 suficientes entre as crianças analisadas para comparar as taxas entre os vacinados e aqueles que receberam um placebo - algo que pode oferecer evidências adicionais.

A pesquisa não é grande o suficiente para detectar quaisquer efeitos colaterais extremamente raros, como a miocardite que afeta principalmente homens jovens. O vice-presidente sênior da Pfizer afirmou que as crianças vacinadas serão cuidadosamente monitoradas para riscos raros, assim como qualquer outra pessoa.

Vacinação de adolescentes está sob impasse no Brasil

No Brasil, o Ministério da Saúde orientou a suspensão da vacinação de adolescentes na última quinta-feira. Boa parte dos Estados não seguiu a recomendação do órgão e está vacinando os jovens de 12 a 17 anos. Especialistas criticaram fortemente a decisão da pasta e defendem a vacinação de adolescentes como mais uma forma de controlar a pandemia.

A decisão da Saúde tinha como base principalmente os possíveis efeitos adversos da vacina nessa faixa etária. O ministro Marcelo Queiroga chegou a mencionar que um adolescente morreu dias após receber a vacina da Pfizer. No entanto, já está comprovado que o óbito não tem relação com o imunizante. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve a aprovação de uso da vacina da Pfizer em pessoas de 12 a 17 anos./COM INFORMAÇÕES DA ASSOCIATED PRESS

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