TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Vacinação de crianças contra a covid: Veja o que se sabe até agora

Vacina da Pfizer é eficaz e segura? O que diz o Ministério da Saúde? Outros países aprovam a aplicação nesta faixa etária? Entenda as previsões da vacinação liberada pela Anvisa para o público de 5 a 11 anos

Leon Ferrari, Luiz Henrique Gomes e Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2021 | 11h59
Atualizado 04 de janeiro de 2022 | 16h59

Aprovada no dia 16 de dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacinação para crianças de 5 a 11 anos no Brasil deve começar na segunda quinzena deste mês. A informação foi dada pelo ministro Marcelo Queiroga nesta segunda-feira, 3.

A aplicação foi autorizada com o uso do imunizante infantil da Pfizer. Cerca de 3,7 milhões de doses devem ser distribuídas no Brasil este mês.  Até o fim do primeiro trimestre, 20 milhões de doses chegarão ao País - o suficiente para vacinar toda a faixa etária até março.

Desde o pedido de autorização da farmacêutica, em novembro, a vacinação em crianças enfrenta resistência do presidente Jair Bolsonaro e dos seus apoiadores. Isso levou o Ministério da Saúde a criar empecilhos para iniciar a vacina, como a prescrição médica e a realização de uma audiência com a presença de médicos ligados a notícias falsas para discutir o tema.

No mundo, a vacinação desta faixa etária avança em dezenas de países. Veja o que se sabe até agora sobre a aplicação da vacina na faixa etária de 5 a 11 anos. 

As crianças e adolescentes de 5 a 11 anos vão receber a mesma dose do imunizante que os adultos? 

Não. O imunizante que será aplicado na população pediátrica vai ter duas doses de 10 mcg por unidade (um terço da dose adulta). O esquema vacinal para população acima de 12 anos é de 30 mcg. O volume do imunizante será de 0,2 mL e o período entre doses indicado é de três semanas. 

As vacinas para crianças também terão "envase com coloração diferente". A tampa e o rótulo serão da cor laranja para evitar confusão com as injeções para pessoas com mais de 12 anos. Não é possível "diluir" o imunizante com dosagem maior para aplicar na população pediátrica.   

Quando vai começar a aplicação de vacinas da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos no Brasil? 

Segundo o ministro Marcelo Queiroga, a vacinação deve começar na segunda quinzena deste mês de janeiro. O País deve deve receber 3,7 milhões de vacinas infantis até o final do mês. A expectativa é que no final do primeiro trimestre, em março, 20 milhões de doses já estejam distribuídas nos municípios brasileiros para a vacinação.

A vacina da Pfizer é segura e eficaz para crianças de 5 a 11 anos? 

Ainda em setembro, a Pfizer Inc. já havia declarado que os resultados dos últimos testes clínicos geraram uma resposta "robusta" de anticorpos e que a vacina é segura para a população pediátrica. Em outubro, divulgou que o imunizante tem eficácia de 90,7% nessa faixa etária.

Vai ser preciso apresentar prescrição médica para poder vacinar?

A necessidade da apresentação da prescrição médica, ideia defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Marcelo Queiroga, vai ser definida pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira, 5.

O governo fez uma consulta pública para verificar a adesão da população à prescrição médica. Nesta terça-feira, a secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, afirmou que a maioria das pessoas que participaram da consulta é contrária à obrigatoriedade da prescrição.

O número de doses previstas até março é suficiente para todas as crianças do Brasil?

Estão previstas 20 milhões de doses infantis da Pfizer até o fim do primeiro trimestre, em março. Dados do IBGE mostram que o Brasil tem 20,5 milhões crianças entre 5 e 11 anos, ou seja, haveria como aplicar a primeira dose em toda essa faixa etária no período.

Já a quantidade a ser recebida em janeiro (3,5 milhões) seria suficiente para imunizar, por exemplo, todas as crianças de 11 anos (2,8 milhões, segundo o instituto).

E se a criança completar 12 anos no período entre as doses da vacina?

O esquema vacinal deve ser completado com a dose pediátrica. 

Será preciso dose de reforço para esta faixa etária?

Ainda não se sabe. A Anvisa vai seguir acompanhando informações sobre a utilização do imunzante nesta faixa etária de 5 a 11 anos, para o caso de precisar atualizar suas recomendações.

Outros países já usam o imunizante nessa faixa etária?

Sim. Ao menos 31 países de quatro continentes já haviam autorizado a vacinação para crianças quando o Brasil tomou a mesma decisão, em dezembro. 

A Pfizer, fabricante que vai ser utilizada no País, tem autorização para vacinar a faixa etária de 5 a 11 anos na União Europeia e em 10 países da América, incluindo o Brasil.

Outros imunizantes estão sendo aplicados em crianças em alguns países. É o caso da Coronavac, aplicada em Hong Kong, na China e no Chile, por exemplo. Há países que também utilizam a Soberana, desenvolvida por Cuba, e a Sinopharma.

O programa de vacinação para a faixa etária dos 5 a 11 anos vai ser diferente daquela para os maiores de 12 anos? 

Provavelmente, sim. Assim como fizeram os Estados Unidos, a Anvisa recomenda o uso de agulhas menores, uma vez que é preciso aplicar menos microgramas do que nos maiores de 12 anos, e também evitar vacinar adultos e crianças no mesmo espaço - isso para fazer com que a criança se sinta mais segura e confortável.

A agência brasileira também indica que, após receber o imunizante, a criança fique no local ao menos por 20 minutos. Com isso, poderá ser observada com mais cautela. 

Cabe, porém, ao Ministério da Saúde acatar ou não as orientações. Os termos em que a aplicação ocorrerá deverá ser divulgado pelo ministério nesta quarta-feira, 5.

Por que é importante vacinar crianças de 5 a 11 anos contra a covid?

Para o microbiologista Luiz Almeida, PhD na área de genética de bactérias pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), a vacina contra a covid-19 para crianças é importante para a redução do número de casos graves e mortes causadas pela doença nessa faixa etária. 

Segundo ele, no Brasil, já morreram 2,4 mil crianças e adolescentes por conta da covid. “É um número pequeno quando você compara com 600 mil mortes da pandemia, mas estamos falando de uma doença evitável”, disse.

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