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Dado Ruvic/REUTERS
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Pfizer será capaz de entregar 4 milhões de doses da vacina até março, diz presidente da empresa

Em reunião de comissão da Câmara dos Deputados, executivo afirmou que, quanto mais o Brasil demorar para assinar contrato, menos segurança haverá sobre a disponibilidade de doses

Fabiana Cambricoli e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 17h22

O presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, disse nesta terça-feira, 8, que a empresa será capaz de entregar, no primeiro trimestre de 2021, uma quantidade de vacinas contra covid-19 suficiente para imunizar somente 2 milhões de brasileiros - o equivalente a 4 milhões de doses, já que o produto é administrado em duas doses.

A informação foi dada pelo executivo em uma reunião da comissão externa da Câmara que discute as ações de enfrentamento à covid-19. Murillo confirmou que a oferta total da empresa ao governo brasileiro é de 70 milhões de doses ao longo de 2021, mas disse que, nos primeiros meses do próximo ano, o quantitativo enviado será menor do que no final do ano por causa da alta demanda mundial pelo produto.

"O concreto da oferta da Pfizer é 70 milhões com um quantitativo que vai começando quando sair o registro da Anvisa, que deve ser em janeiro, e vamos aumentando esse quantitativo a medida que transcorre o ano. Quanto mais demorarmos em assinar o contrato, menos segurança em termos essas doses lá na frente. Alguns países assinaram um tempo atrás e, por isso, já estão começando a vacinar. No Brasil estamos perto, vamos conseguir, mas não assinamos, o que cria obviamente uma limitação de segurança sobre a disponibilidade das doses", afirmou Murillo. Ele ressaltou, no entanto, que, neste momento, o volume de 70 milhões de doses para o Brasil segue garantido.

Mais cedo, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a quantidade de doses da vacina da Pfizer prevista para os seis primeiros meses era de 8,5 milhões, suficiente para vacinar 4 milhões de brasileiros.

A quantidade não seria suficiente nem para vacinar todos os profissionais de saúde do País, estimados em 5,8 milhões pelo ministério, e que seriam os primeiros imunizados de acordo com o cronograma do Ministério da Saúde.

O presidente da Pfizer afirmou ainda que a empresa está adaptando seus documentos para dar entrada ao pedido de uso emergencial na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A farmacêutica havia enviado resultados à agência no final de novembro para pedir o registro final do produto. Mas, na semana passada, o órgão federal mudou suas regras, abrindo brecha para registro de uso emergencial, o que aceleraria a análise.

"Fizemos a submissão contínua (de dados dos estudos) na última semana de novembro, mas, com as novas regras da Anvisa para uso emergencial, vamos readequar o pedido para esse mecanismo, pois ele pode ser mais rápido", disse o presidente da Pfizer.

Murillo disse que a imunização poderia começar logo após o produto ser liberado pela agência e estimou que as primeiras doses do imunizante chegam ao Brasil em janeiro. 

O deputado Luiz Antonio Teixeira Jr., também conhecido como dr. Luizinho e presidente da comissão, afirmou que, caso a Anvisa demore para aprovar a vacina no Brasil, ele e outros deputados poderão entrar com ação na Justiça pedindo que o uso seja autorizado com base na aprovação de outras agências regulatórias internacionais, como a dos Estados Unidos, que deverá dar o registro ao imunizante da Pfizer nesta semana.

"Pode pedir o registro na Anvisa quando tiver com o FDA (agência regulatória americana) porque, se for o caso, a gente vai no STF usando a nossa lei para dar acesso à vacina para a população brasileira porque é muito mais barato uma dose de vacina do que um dia de CTI e do que uma vida perdida", declarou ele, referindo-se à lei 14.006/2020, que prevê, no contexto da pandemia, a importação  de produtos de saúde sem registro no País desde que tenham autorização das agências regulatórias dos EUA, Europa, Japão ou China.

Murillo disse aos deputados que ainda precisa acertar com o Ministério da Saúde o público-alvo e cidades que poderiam receber as doses da Pfizer. Trata-se de informações que serão avaliadas pela Anvisa antes de permitir o uso emergencial.

O imunizante exige temperatura de armazenamento de -70 graus. A Pfizer diz ter plano para transporte e armazenamento das doses ao SUS - uma embalagem para cerca de 5 mil doses, com temperatura controlada, que usa gelo seco. A vacina duraria 30 dias dias nesta temperatura. Depois, poderia ficar até 5 dias em refrigeradores comuns, de 2 a 8 graus, que são tradicionalmente usados em postos de saúde. Segundo a empresa, as seringas e agulhas exigidas pela vacina são do mesmo tipo que o SUS já utiliza. 

"A oferta da Pfizer é entregar (a embalagem para armazenamento) em cada centro (de vacinação). Por isso é tão importante assegurar a assinatura desse memorando de entendimento", disse Murillo. 

O representante do laboratório no Brasil não revelou o preço por dose que está sendo negociado com o ministério. Disse, porém, que o valor seguirá o padrão ofertado a países de renda média, mas com algum desconto pelo fato de o Brasil ter participado da fase 3 de pesquisa clínica da vacina. 

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