Luis Acosta/AFP
Luis Acosta/AFP

Pfizer vai pedir autorização à Anvisa para armazenar vacina em refrigerador comum por até 30 dias

Autorização já foi concedida por agências regulatórias dos Estados Unidos e da União Europeia

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 12h28
Atualizado 20 de maio de 2021 | 12h44

A Pfizer vai pedir autorização à Agência Nacional de Vigilãncia Sanitária (Anvisa) para que a vacina fabricada pela empresa seja armazenada em refrigeradores comuns (de 2ºC a 8ºC) por até 30 dias. Atualmente, o limite é de cinco dias. Isso reduziria os problemas logísticos e facilitaria a chegada das doses em cidades do interior.

A empresa, que fechou dois contratos para fornecer cerca de 200 milhões de doses ao Brasil, disse em nota que está "trabalhando na documentação necessária para ampliar as condições para o País e protocolará em breve o pedido de alteração de armazenamento e conservação de sua vacina". No momento, a vacina da Pfizer está restrita às capitais e regiões metropolitanas em quase todos os Estados brasileiros porque a logística para armazenamento e transporte depende de equipamentos que não estão disponíveis em todas as cidades, como ultracongeladores e termômetros específicos.

Esses problemas foram mencionados em notas técnicas do Ministério da Saúde. Os documentos pediam a adequação da rede de frio do País com a disponibilização de três mil data logger (equipamento usado para controlar a temperatura de ultracongeladores), além de caixas térmicas e gelo seco para abastecê-las. A Saúde também pediu um aditivo de 25% no contrato com a empresa responsável pelo transporte das vacinas para adequação dos veículos às especificações do imunizante.

Atualmente, a vacina da Pfizer pode ser armazenada por até seis meses em ultracongeladores (-70ºC a -80C), 14 dias em freezers (-20ºC) e cinco dias em refrigeradores comuns (2ºC a 8ºC). Se a Anvisa aprovar a mudança, o imunizante poderá ser armazenado em refrigeradores por tempo suficiente para tanto para o transporte até cidades do interior quanto para a aplicação em moradores desses municípios, o que acabaria com boa parte do problema logístico. As vacina de Oxford/AstraZeneca e a Coronavac, aplicadas em todo o Brasil, já são guardadas nessas geladeiras.

A mesma permissão já foi concedida pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) e pela agência americana FDA (Food And Drug Administration). Para ser armazenado em refrigeradores comuns, o frasco deve estar fechado.

"Essa mudança deve tornar a vacina mais amplamente disponível ao público americano", disse Peter Marks, diretor do Centro de Avaliação e Pesquisa de Produtos Biológicos da FDA. Ele falou que, dessa forma, os pontos de vacinação nos EUA, como consultórios médicos comunitários, terão maior capacidade para receber, armazenar e administrar as doses da Pfizer.

Até o momento, 2,8 milhões de doses da vacina da Pfizer já chegaram ao Brasil e mais 10,7 milhões devem ser entregues até o mês que vem./COM REUTERS

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